A ESCOLHA E SEU VALOR: uma crítica do boicote
Janaete Kyra
“Os nossos véus são máscaras, são marcas que nos identificam enquanto nos escondem, nos aproximam quando nos distanciam, nos fazem querer viver quando nos fazem objetos de hierarquias e trocas de mão-de-obra na sua crise constante do sistema. Nós aceitamos ser criminos@s sociais e inimig@s da economia política, pois é como a lógica do capitalismo nos nomeia ao nos ver com fome de vida e não com a fome de bugigangas. A vida é dura se queremos vivê-la.” (Amig@s da próxima insurreição, Segundo Manifesto Susto´s)
“Será que não vai chegar o dia de se pagar até a respiração? Pela direção que tudo está tomando, eu vou viver pagando o ar de meu pulmão.” (Siba e a Floresta, Ser)
Eu diria, a princípio, que considerável parte da discussão sobre a prática do boicote mostra-se, dentro de suas formas possíveis, bastante delicada. Muito antes de consistir numa iniciativa que contém nela mesma respostas acabadas ou mesmo verdades rigorosas a respeito das tramas de nossas relações, tal prática carrega em muito de si leituras e críticas limitadas, pouco suficientes quanto a seus desdobramentos, motivações e interesses.
Muito do que se informa atualmente sobre esse gênero de escolha consumista tem suas bases num posicionamento contrário ao processo de expropriação particularmente instalado nas relações sociais de produção e reprodução da vida. Algo com que podemos muitas vezes deparar é justamente a postura de abdicação ao consumo de alguns produtos dispostos no tráfego mercantil por razões éticas e/ou morais adotadas frente ao modo como essas coisas (ainda) desejadas são trazidas à luz do mundo. Tem-se como parâmetros para essa opção por realização no objeto, na maioria dos casos, os métodos empregados por um organismo qualquer para alcançar sua meta produtiva ou uma discordância moral em relação ao que o mesmo produto representa socialmente. Em resumo: as múltiplas variantes imagináveis do boicote são questão fundamentalmente voltada para uma crítica da sociedade de consumo, entendida como a prática diária de troca abstratamente equivalente. (mais…)
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Foi realizado o encontro Autonomista, envolvendo coletivos e indivíduos
participantes de projetos autônomos e anti-capitalista de BH.
Aconteceu no espaço Ystilingue, no dia 29 de novembro e teve pontos marcantes para varias pessoas e que merecem ser relatados:
O Primeiro é a pontualidade. Apesar do encontro estar marcado para
acontecer as 15hrs, só foi acontecer a roda de discussão mesmo as
19hrs. Isso já depois de algumas pessoas terem se retirado por pensarem que não iria rolar nada. É uma situação desarticuladora e cansativa, e é importante enxergar isso como um problema sério. Foi proposto, para evitar essa situação, a estipulação de horarios de inicio e termino das atividades. Isso serviria para a auto-educação quanto a pontualidade dos encontros.
O segundo ponto é o fato de, nesse encontro, ter sido reanimada a idéia de
se criar formas de fortalecer a comunicação entre os autonomistas de BH.
Uma das idéias é a da criação de um blog unico entre autonomistas, onde
esses postariam suas iniciativas, projetos e dilemas. Seria um ponto convergência e de comunicação.
A discussões sobre esse projeto ainda estão sendo encaminhadas. O blog seria criado entre os que participaram nesse encontro autonomo, e outros individuos passaria a adeririam com o tempo.
Uma questão foi levantado, que diz respeito a questão histórica e as
experiências passadas dos movimentos de BH. Vários projetos atuais
tem tido experiências interessantes e grande parte delas podem ser
resgatadas apenas conversando com os atuais envolvidos, ou analisando seus informes e documentos na internet ou impressos.
Mas muitos dos envolvidos desconhecem as experiencias já passadas a anos atrás. As experiências das movimentações de 1999, 2000 e 2001, por exemplo, parecem estar distantes do conhecimento dos agrupamentos e coletivos de hoje. Parece não ter havido uma boa transmissão de conhecimento, criticas e experiências dos coletivos da época para os de hoje.
Um resgate histórico, nesse sentido, aconteceu atualmente em São Paulo, relativo aos coletivos e movimentações de lá. Se tratou de um evento afim de lembrar essas historias, com vídeos, debates e fotos.
Essa troca de experiência pode ser algo muito inspirador para os
projetos de hoje, e isso talvez seja motivo para pensarmos em
resgata-la também aqui em BH.
Outras discussões aconteceram e foram interessantes. Relatos quanto ao surgimento das atividades dos participantes, funcionamento e objetivos.
Foi uma troca de experiencias interessante. E o resultado de tudo isso (se existir), é imprevisivel.
Abr@ços!
Um Autonomista
BH, Dezembro de 2008.
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Em seguida realizaram performances anticapitalistas “contemplando” as vitrines das lojas, questionando e fazendo “brincadeiras” que criticavam a sociedade de consumo, as grandes corporações, a exploração da mão-de-obra semi-escrava enquanto outr@s ativistas entregavam panfletos. “Você consome ou é consumido?” Logo após iniciou-se o ponto alto da performance, quando um dos papais-noéis iniciou um discurso que gerou bastante polêmica e reações das mais diversas. “Bem vindos ao templo do consumo! Eis o espírito natalino de que tanto falam! Feliz Natal comercial para tod@s, principalmente para os bastiões da sociedade de consumo…” Lembrava da questão ambiental, do aquecimento global, da sociedade de classes, da miséria, da violência urbana e todos os fatores relacionados ao consumismo. Citou também a ocupação pelo exército do morro da providencia “Para que hoje possam consumir o morro da providencia está ocupado. Você consome a miséria”. O discurso ainda tocou na artificialidade da liberdade liberal do capital, na liberdade somente para o consumo “Sua liberdade não passa de um par de sapatos novos no shopping”, os noéis repetiam isso em coro incessantemente como uma espécie de refrão.
Em geral, os trabalhadores se mostraram favoráveis ao ato, porém as pessoas que passeavam por lá ficaram dividas, algumas tentaram puxar aplausos, outras vaias, outras ficavam estarrecidas e surpresas com a inusitada performance. Parte dos consumidores mostraram-se realmente zangadas com o ato “O dinheiro é meu e eu faço com ele o que eu quiser”, “Chamem a segurança!” ou ainda “Vocês estão malucos? Falar de anti-consumismo no natal?”, uma senhora ainda apoiou o ato dizendo “Liberdade de expressão, deixa os meninos, quando vêem me encher de propaganda de loja ninguém fala nada, deixa eles entregarem os panfletos”.

No fim, o chefe de segurança, sem saber como lidar com o problema e com os noéis que não lhe davam a mínima, começou a fazer ameaças e tentar apelar para violência “Pega dois e leva para a salinha”. Fazendo uma menção as salas que são utilizadas para espancamentos para aqueles e aquelas que “saem da linha” dentro dos shoppings. “Você vem fazer isso aqui no meu shopping” também gritou. Nesse momento um grupo de pessoas tentava tirar fotos para coagir os noéis, diziam ser “acionistas” do Rio Sul, filhos de militares, desembargadores, enfim, tudo gente finíssima e da melhor qualidade.
Em seguida chega à polícia militar, o policial afirma “trabalhar para a policia militar e para o rio sul” e começa a querer levar os ativistas para a DP, sem conseguir explicar exatamente em que artigo estava os enquadrando. Foi simplesmente uma cena ridícula o policial e o chefe de segurança discutindo e querendo levar para a DP 12 pessoas vestidas de papai-noel. Imagina a cara do delegado se isso acontecesse!!!!!! Por fim, depois de muita negociação os nóeis foram liberados. Quem iria ter coragem de prender papai-noel nas vésperas de natal e correr o risco de ficar sem presente?

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Natal Sem Compras, 2007. Belo Horizonte, Minas Gerais.

Arquivado em: 1 | Tags: "Buy Nothing Day", "[conjunto vazio]", dia sem compras, intervenção
A ação ”Dia sem Compras” do coletivo [conjunto vazio] realizada no dia 24 de Dezembro de 2007, consistiu em:
1. Na madrugada do dia 23 para o dia 24 de dezembro, o coletivo foi a 4 lugares (já previamente escolhidos no perimetro central de Belo Horizonte: o antigo Bahia shopping na rua da Bahia, a agência do Banco do Brasil,loja C&A e a entrada do shopping Cidade) e nas portas desses estabelecimentos foram colocados fitas de isolamento (amarela com listras pretas), antes desses locais abrirem.

2. Na manhã do dia 24 de dezembro, o coletivo distribuiu paralelepipedos de rua (já previamente coletados, somando 180 pedras) , embalados com panfletos e amarrados com fita de presente. Colocados dentro de um carrinho de compras esses “presentes” foram distribuidos na frente dos estabelecimentos comerciais do centro da cidade, ao serem entregues era dito as pessoas: “Feliz Natal, tome seu vale brinde, desconto em todas as lojas…é só pegar e usar”, “pegue seu cartão de crédito”, “felicidades”, etc. Causando diversas reações nas pessoas que aceitavam ou não esse “presente”.




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Texto do Panfleto:
DIA SEM COMPRAS
COMPRE MENOS! VIVA MAIS!
Se, por acaso, um extraterrestre desembarcasse na Terra em algum dos dias que antecedem a noite de natal, seguramente o que lhe chamaria a atenção, pela intensidade, não seriam o amor, a paz, a solidariedade, mas sim a euforia desesperada com a qual compramos coisas nessa época, e como submetemos cinicamente todos aqueles sentimentos positivos ao ato de consumir. E o espantoso não é que falemos de amor quando na verdade queremos trocar mercadorias, mas que nós submetemos tudo, passamos por todas as dificuldades, proporcionamos os maiores sofrimentos, com o objetivo de preservar o consumo de coisas.
Os aspectos que constituem a sociedade capitalista e a forma de vida que ela nos impõe, que inevitavelmente somos impelidos a construir, parecem irremediáveis: a desigualdade social que deve ser necessariamente preservada para o pleno funcionamento do sistema; o modo como as empresas (sobretudo as multinacionais) passam por cima de qualquer limite ético para alcançar maiores lucros (trabalho semi-escravo e infantil, venda de alimentos cancerígenos, degradação do meio ambiente, …) e o modo como até os nossos sonhos são moldados. É especialmente no natal que as pessoas acreditam que, ao comprarem objetos caros, são beneficiadas na medida em que se alcança um certo sentimento de superioridade frente aos seus próximos. Somos colocados – por nós mesmos – nas piores situações para consumir: fazemos dívidas absurdas que nos deixam estressados e nos obrigam a trabalhar mais; compramos toda espécie de “bugigangas” que nos oferecem – cujo tempo de uso é limitado pela próxima oferta; passamos o dia com pessoas que eventualmente não são aquelas que gostaríamos que estivessem nos acompanhando, ao menos naquele momento ou daquela forma mediada por objetos.
É porque acreditam que existem infinitas formas possíveis de se relacionar com o mundo e com as pessoas que o habitam, por meio de uma lógica externa à capitalista e consumista, que pessoas de vários países organizam o DIA SEM COMPRAS. Abandonar completamente o modo de vida capitalista pode parecer inicialmente impossível, porém, existem formas de construir experiências alternativas ao modo dominante no dia-a-dia. Por exemplo, no lugar dos rituais criados apenas para aumentar o consumo, pode-se partir para a invenção de rituais próprios junto à família, amigos ou vizinhos, reuniões que de fato propiciem a relação com o próximo. Sabemos perfeitamente da impotência política que recai sobre nós. Mas, no lugar de simplesmente reconhecê-la e aceitá-la passivamente, defendemos como ponto de partida uma reflexão crítica em relação à realidade – que, em meio à alienação generalizada, pode ser considerada poderosa.
[CONJUNTO VAZIO]


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Segue o relato feito pelo CAP do “Dia Sem Compras” de 2000, tal ação acabou com o confronto entre as pessoas que participavam da ação com os seguranças do shopping.
Se alguém tiver fotos dessa ação, favor entrar em contato.
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Dia Sem Compras:
Um dia para pensar o consumo,
Uma data da “violência privada”
Vou tentar ser breve neste relato, uma vez que este tem como objetivo
estimular a solidariedade para com as pessoas que mais sofreram com os
agressões por parte dos seguranças do Shopping Cidade (na Rua Rio de
Janeiro, entre as Ruas Tupis, Goitacazes e São Paulo – Belo Horizonte/MG)
no dia 23/12/2000.
A manifestação tinha por objetivo ser pacífica. Ela é conhecida como “Dia
Sem Compras”, e este foi o segundo ano em que ela aconteceu em Belo
Horizonte. O objetivo em se escolher fazer essa manifestação em frente ao
Shopping Cidade, é o fluxo de pessoas que o centro de Belo Horizonte
proporciona. Apenas passando pelo shopping, são 160 mil pessoas durante
APENAS o dia 23/12 todos os anos, fora outras pessoas que estão passando
pelo centro de Belo Horizonte.
A manifestação em Belo Horizonte estava marcada para 12:00, horário do
almoço. O principal motivo: haveria distribuição de comida/suco/etc..
Outros eventos estavam programados, como distribuição de panfletos,
cafezinho/biscoito/balas na “Barraca da Reflexão”, palhaços e “porcos
consumistas” acompanhados de “consumidores sem rosto” andariam pela porta
do Shopping Cidade conversando com as pessoas sobre o consumo. Performances
também estavam marcadas de acontecer.
Arquivado em: 1 | Tags: bh, coletivos, grupoautonomo, reuniao, ystilingue
No espaço Ystilingue foi realizada uma convocação para reunião de grupos autonomos em BH. Devido a chuva torrencial e a não-pontualidade da maioria, cada grupo veio em uma hora diferente e, apenas por volta das 18:30hrs a reunião, marcada para as 15hrs, começou.Apesar dos desencontros, foi realizado com sucesso o inicio do cadastramento dos grupos para consolidaçao de uma rede de troca de informações mais coesa.
A intenção do encontro era que os membros dos coletivos se re-aproximassem, contassem histórias, dificuldades de cada grupo, explicassem funcionamento, esquema de reuniões, rotatividade de membros, etc.De acordo com depoimento de várias pessoas, por volta de 2001 foi o ápice da atividade dos coletivos em BH, coincidindo, não ao acaso, com a época forte da cena hardcore, o espaço e as atividades da mansão libertina, a distribuiçao e fabricaçao de zines, etc.
Um dos assuntos tratados foi, com o passar dos anos, o desaparecimento de uma serie de pessoas envolvidas . Uns casaram, outros sairam do pais, outros migraram para negócios da noite como discotecagem, abertura de casas noturnas, de shows e a maioria abandonou a vida mesmo.
De qualquer forma, começamos a catalogar diversas açoes, eventos, espaços e coletivos autonomos de BH com o intuito de fortalecer a nossa rede autonoma de possibilidades. Tem bastante coisa desconexa acontecendo, em ambitos bem diferentes e queremos nos aproximar de todos vcs de novo.
