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Decobri um pedaço desse lugar, que só pude conhecer de longe e no plano da imaginação. Fomos subindo e pegando trilhas, andando sem limitar muito a caminhada, sem pôr muitos contornos na serra.
Ficamos ali cercados pelos contrastes verdes e avermelhados. O verde que me insulta e me convida à selvageria que palpita num lugar escondido do meu coração, uma mescla de desejo e repulsa diante das coisas civilizadas. O vermelho ali casado, aquele mesmo velho vermelho das minerações, da terra exposta pelo sacode das escavadeiras e dinamites, vermelho de velhas bandeiras que tu e eu conhecemos. Fomos catando uma ou outra pedrinha de minério (ferro!?) que encontrávamos na superfície, e eu ficava me questionando, a-bis-ma-do, se aquilo era de fato ferro, assim, achado no chão. Depois, descemos e imergimos no cinzento de novo. Parceiro meu, nesse embalo maluco, evoco Manoel de Barros para lhe fazer ilustração de como tenho vivido, sem perceber ou premeditar algum estilo de viver: “Sou livre para o silêncio das formas e das cores“.
Fiz do mesmo jeito que costumo fazer nas minhas andanças: suave, tranqüilo – experimentando a sensação dos gigantes. E, o que mais me importa, fiz sem dever nada a ninguém.
Com saudades.
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escolher o momento de conformação não significa estar entregue, submisso a qualquer derrota. veja você… que nunca ninguém perde nem ganha. nossos confrontos estão em nós, no fundo do íntimo… o que nos coloca em nossos lugares é justamente esse “definir”: por onde trilhar cada passo, com quem e o que fazer para a realização de nossos anseios, é essa definição que nos situa, nos diz de onde viemos e para onde vamos, nos permite atear o fogo da linha de conflito em vez de sermos carbonizados pelas chamas.
com a licença desse devaneio, quero apenas dizer que desapegar e praticar o abandono dá força ao que ainda nos resta de idéias, propostas e práticas. não, rapaz… nada acaba, temos uma ilustração ideal de um fim em tudo, mas minha vida vem me convencendo de que não, falar a respeito do encerramento de nossos ciclos não é uma tarefa tão banal e simples, creio que nunca é possível ser tão claro e seguro quanto ao que começa e o que se fecha. porém, algo me estimula muito nessas encruzilhadas filosóficas que criamos: sei que o começo e o fim me abrem um sem-número de portas e possibilidades. quando menos me apercebo de minha condição, me vejo completamente mudado, me sinto outra pessoa, vejo que revolucionei o mundo sem ter uma percepção imediata disso.
estou em pausa… tentando me perceber mais. e me acalmei daquele vendaval confuso e descarrilhado, respirei com mais leveza pra conseguir não me estrangular de tanto ser, tantas questões manhosas que me pus nessas andanças, tantas memórias que me atiçaram (lembranças que incluíam a sua presença). fico tranquilo por estar mais quieto, dando tempo aos burburinhos cacofônicos da cidade, desses antros de pouca vida, os únicos tipos de lugares onde aprendi a sobreviver. maravilhosos antros! eu resolvi agradecer ao dia, toda vez que me sinto agoniado… agradecer por ter me oferecido tantas possibilidades de que desfrutei tão pouco.
siga o melhor vento. ainda nos vemos…