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Decobri um pedaço desse lugar, que só pude conhecer de longe e no plano da imaginação. Fomos subindo e pegando trilhas, andando sem limitar muito a caminhada, sem pôr muitos contornos na serra.
Ficamos ali cercados pelos contrastes verdes e avermelhados. O verde que me insulta e me convida à selvageria que palpita num lugar escondido do meu coração, uma mescla de desejo e repulsa diante das coisas civilizadas. O vermelho ali casado, aquele mesmo velho vermelho das minerações, da terra exposta pelo sacode das escavadeiras e dinamites, vermelho de velhas bandeiras que tu e eu conhecemos. Fomos catando uma ou outra pedrinha de minério (ferro!?) que encontrávamos na superfície, e eu ficava me questionando, a-bis-ma-do, se aquilo era de fato ferro, assim, achado no chão. Depois, descemos e imergimos no cinzento de novo. Parceiro meu, nesse embalo maluco, evoco Manoel de Barros para lhe fazer ilustração de como tenho vivido, sem perceber ou premeditar algum estilo de viver: “Sou livre para o silêncio das formas e das cores“.
Fiz do mesmo jeito que costumo fazer nas minhas andanças: suave, tranqüilo – experimentando a sensação dos gigantes. E, o que mais me importa, fiz sem dever nada a ninguém.
Com saudades.