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parceiro meu,
aqui, um puta frio dilacerante! estou me sentindo fodido à beça, mas tranquilo, de boa.
fico lembrando de você e da moça todos os dias… saí daí na surdina, porque não aguentava mais tanta invasão e tantos conflitos internos que eu mesmo causava comigo. preferi dar linha e aprofundar no deserto um pouco mais. foram dias inteiros caminhando pra frente, e isso não me facilitou muita coisa. chegar foi como aportar num moinho de gente feito de cabeça pra baixo!
o veneno está no coração do homem!
nos vemos numa dobrada qualquer, maninho. te cuida e te acalma, se preciso for.
conserve força para o que deseja.
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Na mata densa e cerrada, alguém está lá comigo? Essa selvageria que abrigo, pelo menos numa idéia romântica no meu íntimo. A falta de coragem, as questões que ressurgem sobre tudo que faço. Sentir ser farsa, respirar e tragar a mentira. Sentir não ser nada e com isso não fazer birra.
Ser selvagem é ter que ser violento, contra mim, contra tudo. Ser violento e abandonar. Ser duro e destruir… o cheiro, o gosto, a sensação do que é civilizado, pôr fim ao sentido das heranças e raízes, à tônica do amor e do ódio, para além do bem e do mal. Frieza e sossego. Abolir tudo que pode ser perda ou ganho. Fazer isso vivendo, sem pensar e seguindo, continuamente indo, sempre indo sem metas, destino, projetos, previsões, num mundo decaído, eu mundo caído em pedaços, querendo sozinho tudo e mais nada, querendo que qualquer pouco seja o suficiente.
Há um selvagem gritando em mim, e ele não é bom nem ruim. Fala pouco mas cochicha nos meus ouvidos: “Vá, vá, vá, maluco! Larga tudo e faz o que quer! Se acabe de viver, se acabe de… acabar!”.
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Sim, eu queria ser fácil. Fácil de falar, de dormir, de conversar, de me abrir, de me fechar, de não pensar, de sair de cena, de ser pequena coisa pouca, de não ser só confusão, de sorrir, de receber, de estar em companhia. Mas tudo isso é atravanco, lesma lenta arrastando a gosma, fases que deixam rastro no pouco de mim, ainda que eu tenha todo o cuidado – de ser discreto, do papo reto. “Quantas vezes terei eu que dizer… o parco que sou, o pouco que sei?”. Eu existo sem ser nada. Gero seres sem nem perceber.
Fiquei forte, saco de pele vazio. Pele rasa, riso rasante que começa por cima do mundo, desgoverna e cai girando, calado, espiralado. Se é profundo, vai tudo pro fundo.
Quem tira proveito, tira sem querer. Fico me vendo em atos ao redor, em outros corpos, gente falando coisas que eu penso, que eu já disse (ou escrito pra mim mesmo ou numa conversa íntima), usando termos, gírias, modos-de-dizer, se posicionando no ambiente… ao meu modo, como eu faria, fazia e faço. Outra gente manifestando conturbações, “sensações ruins”. Será que estou poluindo?