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Sim, eu queria ser fácil. Fácil de falar, de dormir, de conversar, de me abrir, de me fechar, de não pensar, de sair de cena, de ser pequena coisa pouca, de não ser só confusão, de sorrir, de receber, de estar em companhia. Mas tudo isso é atravanco, lesma lenta arrastando a gosma, fases que deixam rastro no pouco de mim, ainda que eu tenha todo o cuidado – de ser discreto, do papo reto. “Quantas vezes terei eu que dizer… o parco que sou, o pouco que sei?”. Eu existo sem ser nada. Gero seres sem nem perceber.
Fiquei forte, saco de pele vazio. Pele rasa, riso rasante que começa por cima do mundo, desgoverna e cai girando, calado, espiralado. Se é profundo, vai tudo pro fundo.
Quem tira proveito, tira sem querer. Fico me vendo em atos ao redor, em outros corpos, gente falando coisas que eu penso, que eu já disse (ou escrito pra mim mesmo ou numa conversa íntima), usando termos, gírias, modos-de-dizer, se posicionando no ambiente… ao meu modo, como eu faria, fazia e faço. Outra gente manifestando conturbações, “sensações ruins”. Será que estou poluindo?
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Mas no meio do caminho uma pedra
Comentário por Luana dezembro 5, 2011 @ 2:43 amMas no meio do espinho uma flor