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Na mata densa e cerrada, alguém está lá comigo? Essa selvageria que abrigo, pelo menos numa idéia romântica no meu íntimo. A falta de coragem, as questões que ressurgem sobre tudo que faço. Sentir ser farsa, respirar e tragar a mentira. Sentir não ser nada e com isso não fazer birra.
Ser selvagem é ter que ser violento, contra mim, contra tudo. Ser violento e abandonar. Ser duro e destruir… o cheiro, o gosto, a sensação do que é civilizado, pôr fim ao sentido das heranças e raízes, à tônica do amor e do ódio, para além do bem e do mal. Frieza e sossego. Abolir tudo que pode ser perda ou ganho. Fazer isso vivendo, sem pensar e seguindo, continuamente indo, sempre indo sem metas, destino, projetos, previsões, num mundo decaído, eu mundo caído em pedaços, querendo sozinho tudo e mais nada, querendo que qualquer pouco seja o suficiente.
Há um selvagem gritando em mim, e ele não é bom nem ruim. Fala pouco mas cochicha nos meus ouvidos: “Vá, vá, vá, maluco! Larga tudo e faz o que quer! Se acabe de viver, se acabe de… acabar!”.
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