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Primeira carta de Luciano Pitronello
1 de Janeiro de 2012
A 7 meses de falhar o ataque…
Carta aos corações indômitos
Difícil se faz começar a escrever quando sei que tenho muito o que comunicar e mais ainda por calar, o silêncio se fez um grande companheiro e não em vão, pois meus inimigos desejam isso, que me explane com minhas ideias, que justifique minha ação ilegal, para poder aplicar a lei antiterrorista e poder sepultar-me, inclusive na condição que me encontro, desejam este troféu de guerra, um jovem com múltiplas feridas, prisioneiro por não haver-se enganado com a comodidade de uma revolução marcada dentro do politicamente correto. O poder ambiciona com meu julgamento, que a senhora em casa diga a seu pequeno rebelde que assim terminamos xs idealistas, xs que nos atrevemos a sonhar, que nem o pense, que começa com a rebeldia própria da idade e que se não freia pode terminar em terroríficas consequências, justificar através do meu exemplo, o sistema carcerário, a repressão para o “bem de nossxs filhxs e do futuro”.
Sei que o poderoso deseja isso, ou ao menos o espera, que de uma ou outra maneira, me manifeste publicamente, por isso preferi o silêncio, penso que é muito melhor que nestes momentos falem por mim meus companheiros, conhecidos ou não, tal qual, em inumeráveis jornadas pela libertação animal, soube falar pelo que não o podia, creio que agora deve suceder o mesmo, por que sinceramente penso, que outrxs companheirxs , inclusive de diferentes partes do globo, já o fizeram com esplêndidos resultados, não só com tudo que envolve minha moral, mas com tudo que envolve a solidariedade, a qual me atreveria a representar-la como a primeira peça de uma grande fileira de dominó, aonde se empurra a primeira, e a segunda derruba a terceira e assim sucessivamente, onde minha moral viria a ser uma peça a mais do dominó, aonde está também o dano ao sistema, ao romper com suas lógicas autoritária, a estima que gera a ação, tanto a nível individual como a nível coletivo, além de ser um degrau mais no conflito com a realidade e assim poderia passar dias enumerando os distintos efeitos que poderia ter uma ação solidária.
Fora isso, tal como meus inimigos desejam que me comunique, sei que muitíssimos companheiros também o desejam, e saibam que o sei e sinto muito, por que tiveram que passar vários meses na incerteza para receber alguma notícia, lamento profundamente comunicar-me nessas circunstâncias, fui eu o que sempre enfatizou que a solidariedade deve ser recíproca, e acreditem que eu mais que ninguém lamentava não haver me pronunciado antes, senti que traía a mim mesmo ao me calar, “Lhe incomodará que nos solidarizemos com ele”?Especulava que pensavam ao interpretar meu silêncio, mas tenho uma pequena e linda filha que necessita a seu pai e tão pouco posso trair a ela. Ela me motivou ao silêncio, meus ideais me motivavam ao diálogo e vocês, meus/minha companheirxs de sempre me motivaram ao ponto do meio.
Não gosto de escrever sem pensar no que quero transmitir e que se entenda a cabalidade, escrever algo em minha situação necessita uma reflexão profunda. “Vale a pena”? Já que no meu caso, a diferença da maioria dos processos políticos que podem ser montagens, no meu processo já está provado, por que eu efetivamente portava uma bomba com destino a filial bancária localizada em Av. Vicuña Mackenna com Victória, ponto central da capital.
De minha parte desejava comunicar tudo. Por que falhou o ataque?Como poderia ser omisso a algo tão relevante? Ou inclusive: por que este banco? Politizar um ataque anticapitalista não é só fazer apologia da violência, é também botar a corda no pescoço e isso jamais!Por que enquanto estiver vivo eu planejo seguir lutando, não me importa se me faltam alguns dedos, uma mão,o ouvido ou a vista, seguirei adiante e como de lugar, isso devem saber tanto meus inimigos como meus companheiros.
Então me pedem que rompa com o isolamento, com o hermetismo que ronda minha pessoa, planteio que me envergonharia comunicar-me simplesmente por fazê-lo , ao que me responde com um golpe minha consciência:E teus companheirxs? Penso que comunicar-me com elxs é algo banal e sem importância? É verdade, não necessito vomitar todo o ocorrido essa noite, creio que no futuro já haverá tempo para isso. Então querem saber de mim?Penso que vou lutar para viver e viver para lutar até sermos livres e selvagens, não me estamparei de que sou menos selvagem se respiro de forma artificial ou não, por que creio que em situações como essa onde aflora o instinto mais selvagem do homem, o de sobreviver, não pretendo aludir a ninguém em especial, por que sei que muitxs companheirxs desejaram minha morte com os melhores desejos, mas quero que daqui saia uma lição para todxs, não se pode desejar a morte de um companheiro assim tão solto de corpo, claro, ao menos que o companheiro o manifeste, mas se fosse esse o caso, a pessoa buscaria os meios para pôr fim a sua vida, sem que com isso gere uma causa judicial a terceiros(homicídio). Por que?Que haveria ocorrido se por “fazer-me um favor “ , me houvessem assassinado? Quem são elxs que se dizem meus companheirxs para julgarem se vale a pena ou não que eu siga com vida? O único que é capaz de tomar semelhante decisão é o indivíduo, só ele sabe o que realmente deseja, e particularmente eu desejo seguir vivo para continuar lutando.
Por outra parte quero que saibam que agradeço todas e cada uma das ações solidárias que tiveram para comigo, as faixas penduradas em distintas partes do mundo ou aquelas mensagens que carregavam xs mesmxs solidárixs, chegavam aos meus ouvidos de uma ou outra maneira, cada panfleto, cada boletim contra-informativo, cada espaço de suas vidas que dedicaram a mim o guardo como um tesouro, saibam que me interei de tudo e que neste mundo não existem palavras para meus sentimentos de gratidão, por que cada bombaço, cada incêndio organizado em meu nome estão em minha mente. Jamais poderei esquecer o valente que foram meus companheiros mexicanos, xs insubordinadxs que souberam ser meus companheiros da Grécia, queria abraçar aos selvagens da bolívia e dos EUA, saudar afetuosamente aos rebeldes da Espanha e Itália, aos libertários da Argentina, ânimo! Como deixar de mencionar aos iconoclastas da Indonésia, força imãos/irmãs! Aos/as anônimxs da FLA e FLT na Rússia e no mundo. Aos/as companheirxs presxs espalhadxs pelo globo, lhes mando todo meus carinho nestas humildes letras, a companheira Tamara, presa no México(1), a Gabriel Pombo da Silva, preso na espanha, A marco Camenish, preso na Suíça, as/aos companheirxs sempre dignos da Conspiração das Células de Fogo, como invejo sua coragem e obviamente, a minhas/meus companheirxs do território controlado pelo estado do $hile, a vocês que xs conheci em pessoa, saibam que os levo em meu coração, por toda parte, jamais me separei de vocês por que xs levo em meu sorriso, sei que em uma carta jamais poderei agradecer a todas e cada uma das ações, espero que se entenda que não quero excluir a ninguém, as formas com que se solidarizaram comigo são tantas e tão diversas como a luta mesmo, desde ações ilegais, até atividades, chamadas telefônicas, mensagens por internet, canções e sons libertários, enfim quero que saibam todxs e cada um/uma de vocês, rebeldes solidárixs que este louco pela liberdade, jamais, jamais os esquecerá, souberam estar grandes como os arranha-céus e golpear aonde dói, e sobretudo fizeram brilhar as estrelas com sua entrega e isso é digno de imitar.
Gostaria que soubessem o que gerava em mim a solidariedade aqueles dias onde nada tinha sentido, onde aprender a refazer minha vida não tinha nenhuma pitada de lógica, por que saibam que estive mal, o que sucedeu a mim o desejo a muito poucas pessoas, por que foi horrível e aonde mais obscuridade havia, apareciam vocês , gestos pequenos que me empurravam a não renunciar. Como trair a aquelxs que botam suas vidas em jogo para dar-me ânimo? E aprendi a conquistar a vida de novo, sei que vocês jamais dimensionaram o importante que foram. Agora me encontro forte como nunca, a prisão longe de amedrontar-me me faz estar forte como naqueles dias, paradóxica é a vida, por que sempre disse que ter companheirxs na prisão não deveria ser motivo de amedrontamento, se não, todo o contrário, devia ser a razão da mecha na garrafa com gasolina, ou do incinerador da carga explosiva ou incendiária, do sorriso dos corações inssurrectos depois de uma jornada de ataque, assim acreditava antes e assim sigo acreditando, e agora sou eu o que se encontra prisioneiro, portanto se meus inimigos não conseguem intimidar a mim que me encontro em suas garras vejo difícil que o façam com meus companheiros.
O cárcere planejo enfrentar da mesma com que enfrentei a sociedade, com dignidade e alegria, jamais de uma forma submissa, como se falou em uma ocasião, fazer o cárcere combativo. Lhes conto que me encontro na seção hospitalária do presídio Santiago 1, aqui se vive um regime similar ao módulo de segurança máxima do presídio de alta segurança, mas sem pátio, sem rádio, sem TV, com uma visita semanal de no máximo 2 pessoas e com o risco de contagiar-te das enfermidades dos outros presos. O quarto é compartilhado e é maior que uma cela, por esses lados a chamam a cadeia dos loucos, por que aguentar por aqui por muito tempo é para ficar louco, ainda que eu sou da ideia de o que não te mata te faz mais forte e como dizem por aí: “Xs loucxs, somos os que temos os sonhos mais lindos”. Lhes conto que faço muito exercício para recuperar a musculatura que perdi, canto bastante sobretudo essas canções que não agradavam a ninguém, escrevo cartas a minha pequena todas as semanas, as vezes, se é que tenho companheiro de peça, jogo xadrez ou conversamos, de maneira geral os presos me tratam c om muito carinho e me ajudam bastante. Sigo rigorosamente meu tratamento para a reabilitação e tento dar-me ânimo eu mesmo quando a informação do exterior escasseia, lhes conto também que me propus muitos projetos, em alguns já estou trabalhando e outros são para depois que cumpra minha pena.
Penso que assim um rebelde se converte em guerreiro, quando volta a levantar-se por mais forte que
tenha sido a queda, que é capaz de ver uma realidade ainda que tenha tudo a perder, um/a guerreirx não tem que saber confeccionar uma bomba ou manipulá-la, tão pouco tem técnicas de camuflagem, isto são coisas que se aprendem por complemento, xs guerreirxs são perigosxs por suas ideias e princípios, por que vão até as últimas consequências, sempre firmes, imquebráveis, por que não traem a si mesmxs, nem a suas/seus companheirxs, por que sempre estão atentxs, por que não se deixam levar por um cahuín ou pela capucha (2), por que se tem problemas os enfrentam, se tem aflição choram, e se tem alegria riem, por que sabem transitar por uma vida plena, nem por isso tranquila, essxs são xs verdadeiros guerreirxs, agora, nesta guerra são muitas as ocasiões de gozo, mas também há momentos de amargura, pois é uma guerra, não uma moda juvenil, e enfrentar-se ao sistema de dominação utilizando a estes termos pode trazer nefastas consequências e devemos saber de antemão, por que um erro, um pequeno descuido muda tudo, sempre se disse e eu isso o tinha entendido, portanto atuei de acordo com os termos que queria utilizar. A respeito de minhas feridas cicatrizaram todas, lamentavelmente as marcas sempre ficarão, mas as porto com o mesmo orgulho que minhas tatuagens pois são a prova mais concreta de que estou convencido de meus ideiais. Como não estar? Portei esta bomba com sonhos e esperanças e isso segue intacto.
Por outro lado lamento não poder seguir aportando nos projetos que participava, entendam que para mim não havia nenhum mais valioso que outro, todos e cada um significam um aporte a guerra social e anseio que estes projetos não fiquem a deriva por que não estou, pelo contrário deve ser uma motivação mais para seguir adiante, sei que não estou livre de críticas, por que se formava parte de tantos sonhos devia ter atuado não com 100% de cuidado mas com 150%.
Estou seguro que meu exemplo fechará um capítulo mais e que xs novxs e não tão novxs combatentes saberão resgatar o positivo de tudo isso, por que a luta continua e existem demasiados corações que não cabem neste mundo autoritário e desejam abrir-se caminho, por que o fizemos no passado sabemos fazer no presente, no pessoal faço um bom balanço das lutas antiautoritárias no mundo, uma ou outra baixa, mas no geral vejo um bom prognóstico.
Mas assim como a luta avança a repressão também o fará, e meu caso será usado para reinaugurar a patética montagem Caso Bombas (3), portanto faço a sugestão a estar alertas, nunca na inação, mas com cautela, por que minha autocrítica pode aplicar-se a todxs, é a ideia de compartilhá-la , o que digo tão pouco o digo a ciência certa, talvez não tentem mais montagens por temor a fazer o ridículo de novo ou talvez se atirem a piscina, com a desculpa de que meu feito está provado, portanto o chamado é a estar bem despertxs com os 5 sentidos na rua.
Para terminar quero dedicar uma últimas linhas a essa pessoa que andava comigo na madrugada do 1º de junho. Irmão/mãzinhx, sei que meu acidente deve haver te marcado, talvez quantas noites sem dormir na incertidão da cotidianiedade.”Saberão que sou eu?Se notará?Terá despertado o dia seguinte ou terá morrido dormindo?Terá me delatado? Recordo que uma vez te disse que apesar do profundo ódio que sinto do miserável que apunhalou sua companheira(4), igual acreditava entender-lo, por que deveria estar em algo similar para ver se somos tão fortes como dizemos, por que sempre acreditei que a delação é um inimigo interno. Agora te posso dizer que com certeza esse tipinho não tem culiões! Também recordo que antes de sairmos esta noite a rua, te disse que andava sem minha cabala, algo totalmente sem sentido, algo que eu sentia que me dava sorte, tu me disseste que era um louco por acreditar nessas coisas, por sorte trazia meu outro amuleto e fiquei vivo, agora podemos rir dessas leseiras. Irmã/Irmão quero que saiba que apesar de que nem sequer imagine os mals momentos que te jogam a mente o teu coração, eu sigo sendo o mesmo Tortuguita com chulé e que dorme no chão e jamais vou ter que reprovar-te nada, por que esta noite tocou a mim, em jornadas passadas haverá tocado a ti, se algo passava a segunda pessoa foge, assim o havíamos combinado e assim tinha que ser por que ainda que muitas vezes pode ter se sentido um/a traidor/a, não o és, nesta guerra que empreendemos faltam as palavras para que nos entendam. Talvez não volte a ver-te nunca mais, se é assim, sorte em todo o que venha.
Uma vez o disse e o repito com orgulho!Nunca derrotadxs, nunca arrependidxs!Desde aqui lhes mando um caloroso abraço a gente que anda clandestina.
Com o Mauri presente na memória!
Presxs em guerra a rua!
Contra toda autoridade!
Caminhando até o Nada Criador!
Luciano Pitronello Sch.
Preso político inssureicionalista
Notas da tradução:
- Aqui há uma errata que, apesar de termos mantido a carta na íntegra fazemos aqui esta pequena correção, a compa Tamara está presa na Espanha pelo envio de uma carta-bomba ao diretor de uma prisão.O companheiro Gabriel Pombo da Silva, é espanhol, mas atualmente se encontra preso na Alemanha.
- Capucha é a gíria para definir a cara tapada, seria o capuz.
- O caso Bombas ou “Operacion Salamandra”, como o chama o estado é a investigação dos inumeráveis atentados com artefatos explosivos que vem sendo realizados por grupos anarquistas no território Chileno. O mesmo se configura numa grosseira e descarada montagem midiática-judicial que tem encarcerado e processado uma série de companheirxs
sem qualquer evidência concreta.
- Se refere a Gustavo Fuentes Aliaga, ou El Grillo como era conhecido, pilantra, caguete, X-9, delator que por tempos esteve envolvido com a movimentação anárkika, vindo posteriormente a colaborar com a polícia e a converter-se em “testemunha chave” no Caso Bombas.
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Notícias da Comunidade Zilah Spósito.
Não existia um mandado de desocupação da área onde estavam erguidas 39
casas. Havia um termo de ajustamento de postura da PBH que iria derrubar
apenas as casas que estivessem vazias.
Hoje trabalhadores da PBH foram até o local acompanhados da PM e começaram
a derrubada indiscriminada das casas. A PM, Batalhão de Choque, invadiu
casas e expulsou os moradores com spray de pimenta para homens, mulheres e
crianças.
A rede de solidariedade mobilizada as pressas pelo Grupo Pólos de
Cidadania e Brigadas Populares chegou ao local e percebeu a tramóia. Uma
ação totalmente ilegal da PBH, sem mandado de reintegração de pose, sem
aviso prévio e nenhuma garantia para as famílias, que seriam jogadas na
rua.
Diante disso o Ministério Público foi acionado e agora está fazendo a
perícia do local para a elaboração de uma representação por improbidade
administrativa contra o Prefeito Márcio Lacerda.
Das 34 casas existentes no local, sobraram 9. A mobilização agora é para
conseguir abrigar as pessoas e fazer comida. E vem chuva ai!
Um alerta importante! Existem mais 5 comunidades em BH com risco de serem
despejadas. Ao que tudo indica este foi um teste da PBH para saber como
será a repercussão na sociedade e como isso pode interferir na reeleição
do prefeito. Por tanto, peço a todos que lerem esta nota que compartilhem
com os amigos e repassem a informação para a suas listas de email.
Vamos ver amanhã como isso será noticiado, se for noticiado.
Independente da mídia corporativa precisamos nos unir e espalhar a
informação. Só um povo consciente pode lutar por seus direitos.
UM SALVE! Para toda a galera correria e disposição que chegou até lá e
impediu mais uma insensatez do Sr. Marcio Lacerda!
Somos muitos e estamos juntos!
PS: Muitas fotos foram tiradas, mas foram apagadas durante revista
policial afim de eliminar provas da ação ilegal.
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Galera, segue relato de pessoas da Casa da Bandeira Preta que estiveram no
despejo de ontem na ocupação Zilah Spozito.
Acordamos na Dandara, com a notícia de que estava rolando o despejo na
Zilah, que a tropa de choque estava lá e a galera pedindo ajuda.
Subimos correndo ao centro comunitário onde haviam mais pessoas da Dandara
fazendo o corre de avisar e chamar pessoas pro apoio e agilizando caronas.
Fomos em 4 carros cheios, no caminho recebemos uma ligação de lá pedindo
que fossemos rápido pois haviam começado a derrubar as casas. Chegamos lá
próximo do meio dia. Soubemos que a polícia estava lá desde as 10:30 mais
ou menos.
Ao chegarmos a comunidade já estava toda isolado com cordão policial dando
a volta toda, não havia como entrar. Havia umas centenas de policiais e
mais umas centenas de trabalhadores da prefeitura vestidos de laranja
demolindo as casas.
Muitas viaturas em todas as ruas de acesso a ocupação, trator e até uma
ambulância no aguardo. Quando chegamos uma ou outra casa já haviam sido
derrubadas e váriam outras em processo de demolição.
A comunidade fica na parte baixa de um vale e o cordão de policiais
militares cercava toda a parte de cima impedindo que qualquer pessoa
descesse. Haviam aproximadamente umas 200 pessoas entre moradores,
vizinhos, amigos e apoiadores do lado de fora do cerco, indignadas
tentando pensar alguma maneira de impedir o que estava acontecendo.
Vários moradores haviam saido de suas casas cedo pra comprar pão e quando
voltaram não podiam mais descer nem para buscar suas coisas. Pessoas
chorando, xingando, indignadas.
Demos uma volta pela área para tentar pensar alguma forma de agir em
relação a que estava acontecendo, mas a sensação era apenas de impotência,
ódio e nenhuma luz de como impedir aquele absurdo. Ouvimos dizer que não
havia ordem judicial para o despejo, ao indagar os policiais sobre isso
todos só diziam que estavam cumprindo ordens, que só o comandante sabia
disso mas que a polícia não faria isso do nada, não encontramos o
comandante para exigir o mandado.
A tropa de choque fazia um segundo cordão lá em baixo próximo das casas.
Houve uma tentativa por parte dos moradores e apoiadores de romper o
cordão policial, eles então jogaram spray de pimenta no rosto das pessoas
inclusive crianças e chamaram reforço da guarda municipal. Numa segunda
tentativa de romper o cordão, houve novamente spray de pimenta e reforço,
desta vez da tropa de choque. Então formou-se um cordão cabuloso com
policiais militares, guardas municipais e tropa de choque.
O tempo todo ouvia-se o barulho dos tijolos caindo e casas sendo
derrubadas que cortava o coração de qualquer ser humano que o possui.
O advogado chegou mais tarde pois estava em audiencia com o juiz e não
podia sair antes, nisso quase todas as casas já haviam sido derrubadas. O
advogado conseguiu descer para tentar resolver o que ainda desse para
resolver, esperando lá de cima ouvimos boatos de que estavam tentando
prender o advogado e nos pediram que fossemos até a outra entrada, onde
tinha menos gente para ver se os policiais iam sair com ele por lá.
Fomos até lá, estavamos em 4 pessoas, todos encapuzados, chamando um pouco de atenção pois não teve muita gente que aderiu ao encapuzamento.
Chegamos do outro lado, só haviam policiais lá, sentamos na grama do
barranco para ficar de olho, apareceram algumas pessoas à paisana se
dizendo estudantes de direito e fazendo algumas perguntas (se nós eramos
do movimento, se podiam tirar foto etc), só demos meias respostas, todas
com um pé atrás, esse tal estudante foi então falar com os policiais que
etavam logo abaixo, enquanto isso aparecerem alguns meninos da comunidade,
uns 3 de aproximadamente 14 nos que se aproximaram do poiliciais que
gritaram dizendo que subissem, um deles ao se virar para subir recebeu um
soco nas costas e quase caiu, instintivamente nos levantamos dizendo “O
que é isso?!!” os policiais ficaram emputecidos nos mandaram calar a boca
se não o coisa ia ficar preta pro nosso lado e subiram na nossa direção,
abriram as mochilas, revistaram tudo, pediram documentos para puxar nossa
ficha. O que até então se dizia estudante de direito nesse momento se
assumiu policial civil.
Umx de nós estava com uma câmera fotográfica, havia feito muitas fotos com
os rostos e identificação de muitos policiais, dos guardas municipais, das
placas das viaturas e das demolições, o policial civil pegou a câmera e
apagou todas as fotos sob ameaça de morte caso tivessem fotos dele.
Houveram muitas ameaças, chigamentos e comentários extremanente machistas.
Nesse momento houve um pequeno desfalque ou apenas um relaxamento por
parte da polícia do outro lado (ja que os encapuzados tinham saido) e uma
parte da galera conseguiu descer. Entraram nas casas que ainda restavam e
(umas 7) e não deixaram que elas fossem demolidas. Pouco tempo depois a
polícia desistiu e foi embora. A desistência dve ter s dado pelo fato de
que o advogado estava lá e havia comprovado a inexistência de mantado
judicial, e além disso tinha muitas pessoas dispostas a ficar nas casas
não importsse o que a polícia fizensse, ou seja ia ficar muito feio se
tentassem continuar as demolições pois isso só seria possivel caso
houvesse um massacre.
Depois da polícia ter ido embora, e a ordem (não juducial) de despejo
sUspensa, foram levantados barracões de lona para que as famílias pudessem
dormir, e muitas delas foram alojadas também nas casas de vizinhos, durant
a noite e em baixo de chuva, os moradores e apoiadores continuaram
erguendo barracões e recomessando as casas.
MAIS UMA AÇÃO CRIMINOSA POR PARTE DA POLÍCIA E DA PREFEITURA DE BELO HORIZONTE!
MAS NÓS NÃO FICAREMOS CALADOS E NEM PARADOS! TODOS EM APOIO AS COMUNIDADES AMEAÇADAS DE DESPEJO! FORA MÁRCIO LACRDA, SEU GOVERNO É UMA MERDA!
FORA COPA DO MUNDO E CONTROLE FACISTA DA FIFA SOBRE AS CIDADES SEDE! FORA PM DO MUNDO!
FORA PROCESSOS DE GENTRIFICAÇÃO, MASSACRE DO POVO POBRE!
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2011/10/499055.shtml
Casa da Bandeira Preta – Agrupamento de indivíduos autonomxs em
resistência na Dandara
Cada barracão de lona também é uma bandeira preta!
Filed under: Cidades, Movimentos de resistência | Tags: Brigadas Populares, desalojo, Ocupação Dandara, solidariedade internacional
Se você está fora do país, ou conhece alguém que esteja, contribua com a CAMPANHA INTERNACIONAL DE SOLIDARIEDADE À DANDARA. Tire foto(s) com um cartaz dizendo “Despejo não. Com Dandara eu luto!”. Assine o nome, local e data da foto. Sugerimos que tal foto seja tirada num local que identifique facilmente o país.
Publique a foto no Facebook e a envie pra comdandaraeuluto@gmail.com
Mais informações sobre Dandara: http://www.brigadaspopulares.org/
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Toda segunda-feira Bruno Torturra exibe esse programa online onde discute assuntos e acontecimentos realmente pertinentes à homens e mulheres pensantes.
Ao invés de assistirem CQC façam um bem à si próprios e assistam Segunda Dose.
Cérebro, consciência, estados alterados, sonhos, drogas, ativismo e outros hobbies para maiores de idade. Ao vivo toda segunda feira, por volta das 23hs.
1 – #occupywallstreet – Segunda Dose
http://www.ustream.tv/recorded/17669557
2 – #occupywallstreet – Final – Segunda Dose
http://www.ustream.tv/recorded/17671668
3- #occupywallstreet – Segunda Dose
http://www.ustream.tv/channel/segunda-dose#utm_campaign=t.co&utm_source=8961768&utm_medium=social
Filed under: Cidades, Eventos, Filmes, Movimentos de resistência | Tags: impeachment, marcha, Movimento Fora Lacerda
ESSE MOVIMENTO É UM EXEMPLO DISSO, NÃO SE TRATA APENAS DA MÁ GESTÃO DE UM POLÍTICO, É MUDANÇA DE CONSCIÊNCIA DO HORIZONTE.
24 de setembro de 2011 – Belo Horizonte/MG
1ª Marcha Fora Lacerda
Em 2008, PT e PSDB se uniram em uma aliança promíscua para eleger um empresário como prefeito da cidade. Após eleito, Márcio Lacerda dá inicio a uma série de ações privatizantes, cerceando o uso de espaços públicos, vendendo ruas públicas, distribuindo cargos públicos para aliados políticos.
Instaura-se uma ditadura do executivo, onde vereadores cooptados por sua base política ficam imobilizados diante as ações do prefeito.
Atualmente o ministério publico denunciou o prefeito por mal uso do dinheiro público, foram quase 1 milhão de reais em viagens de jatinho fretado. A segunda denúncia do ministério publico é por nepotismo, por ele ter eleito seu filho como presidente da comissão da copa do mundo.
Suas politicais de higienização social incluem a expulsão dos moradores de ruas do centro da capital, através de apreensões ilegais de pertences como cobertores, mochilas, documentos, realizadas pela gerência de ação social.
Em 2011 Márcio Lacerda antecipa as eleições gastando mais de 32 milhões de reais em propaganda sobre seu governo e inicia a cooptação da base politica com fins de eliminar a disputa eleitoral de 2012. É o fim da democracia.
Diversos segmentos da sociedade se uniram para demonstrar a insatisfação com os rumos que a prefeitura vem administrando a cidade. Numa marcha apartidária, 2000 pessoas entre jovens, velhos e crianças saem às ruas pedindo o impeachment do prefeito.
Mais informações: foralacerda.com
Filed under: Cidades, Filmes, Movimentos de resistência, Repressão, Subterrâneos e contracultura | Tags: Flor do Asfalto, gen, ocupação, Rio de Janeiro

Documentário:: A flor que brotou na rachadura do progresso
A Okupa Flor do Asfalto se mantém alerta diante da ameaça de despejo no dia 30/09/2011. Há três semanas ,policiais bateram na porta da okupação e , com aquele humor “sutil” dos matadores, entregaram a notificação com data e prazo para o desalojo. Desde então, os atuais okupantes declaram atenção a esta situação, chamando à solidariedade internacional contra o Choque de Ordem, seus contínuos despejos e toda a onda de repressão que vem acarretando.
“La lucha es como un circulo, se puede empezar en cualquier punto pero nunca termina.”
El Sup.
Faz algum tempo que vivemos, aqui em Belo Horizonte, uma ânsia em comum, presente numa série de conversas que mantivemos como possíveis em meio ao arrastão do dia-a-dia, nas travessias e questões que insistimos em conduzir pelas vias de contramão, contradição, conflito e acomodação. Essa ânsia se resume de modo não tão simples: que fatos e aprendizados estão ainda sendo produzidos no seio das lutas anticapitalistas que se desencadearam – ou continuaram se tecendo – ao longo dos últimos 10 anos? Que narrativas estão hoje se escondendo nas profundezas da dispersão, do esquecimento produzido entre nós mesmos, quando nos entranhamos nas tramas de uma sociedade pós-industrial crescentemente consumista? O que as lutas dessa última década de crises e conflitos nos deixam no plano das investidas radicais contra o reinado da economia mercantil?

É nessa perspectiva que a Universidade Pirata, a Associação Comunitária d@s Amig@s de Pereira (ACAP), juntos @s Proletarizad@s Contra a Corrente (PCaC), convidam para a troca de relatos em torno da última década de lutas anticapitalistas em Belo Horizonte e Fortaleza, para fortalecermos ações a partir daí. Além disso, está no centro desta proposta traçarmos um apanhado geral sobre as lutas atuais, em época dos mega-eventos dos jogos da Copa do Mundo e Olimpíadas e de uma nova geração de movimentos que, de um modo ou de outro, bebeu dos ensinamentos propiciados pelos confrontos da última década.
No próximo fim-de-semana, na Associação Comunitária d@s Amig@s de Pereira (ACAP), nos encontramos com participantes do coletivo Proletarizad@s Contra a Corrente. Uma troca de relatos sobre a última década de lutas anticapitalistas e atualidades. Veja a programação abaixo:
PROGRAMAÇÃO::
15h – Não começou em Seattle…
Rememorar a luta anticapitalista autônoma da última década em BH e Fortaleza (histórico de lutas, movimentações, grupos/redes, conjuntura local/global, etc.);
17h – ...não termina nunca, essa porra!
Para uma crítica que venha de dentro dos movimentos ou daqueles que se sentem como parte deles. Análise do atual contexto (crises, copa/olímpiadas, gentrificações, etc.) das formas de resistência: marchas, “geração facebook”, okupações, ilegalismos… Panorama global com enfoque em BH e Fortaleza.
+Piquenique (leve um lanche!)
+Vídeos livres
+Cerveja à venda
+Um dia leve
Como chegar:
De ônibus: 9407, 9412, 4110, 4111, 4501, 4405, 4802A e vários outros ônibus param ali na rua Pará de Minas, muito perto da casa.
De metrô: descer na estação Calafate, atravessar a passarela no sentido Via Expressa e subir, subir, subir. Terá que caminhar um pouco, até perto da igreja Padre Eustáquio, lá em cima.
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VÁ DE BIKE!: a avenida Dom Pedro II é uma boa referência. Tente chegar até ela e seguir até a rua Vila Rica. Suba essa rua até a Pará de Minas.
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Alegria imensa, sim! Mas a cara do condomínio Maletta está fechada, cheirando a higienismo. Os seguranças do prédio continuam seguindo as orientações: Ninguém sentado no chão! ninguém divulgando seus livretos pelos bares! não pode isso! não pode aquilo!
Por que?
Ordens… ordens… ordens… do síndico!?

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Uma saga persistente, a que realizam os moradores e apoiadores das ocupações urbanas de Belo Horizonte. Após meses de atenção ao risco iminente de despejos, foi ocupado o prédio do IPSEMG, ali na Praça da Liberdade, para chamar a atenção da sociedade civil à situação dos atingidos pela Copa, bem como à venda, por parte do governo do estado, deste mesmo imóvel, a preço de banana, para prestar serviços à Copa do Mundo. A situação é de alerta. Veja nota enviada pelos ocupantes.
RELEASE PARA A IMPRENSA – URGENTE
Assunto: Ocupação de um edifício do IPSEMG, na Praça da Liberdade
Hoje, dia 02 de maio de 2011, segunda-feira, agora, às 9:00h, acaba de acontecer a ocupação de um edifício do IPSEMG, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, esquina com a Av. João pinheiro.* Militantes das Brigadas Populares, com a participação de militantes dos Movimentos Sociais, que participam do *III Encontro Mineiro dos Movimentos Sociais*, ocuparam agora, *às 9:00h*, um prédio do IPSEMG. A situação no local está muito tensa. A tropa de choque deverá chegar em pouco tempo. Os manifestantes estão dispostos a resistir, porque DENUNCIAM UMA GRANDE INJUSTIÇA.
Pedimos, com urgênia, a presença da IMPRENSA e de autoridades dos Direitos Humanos no local, para informar a sociedade o que está acontecendo e também para evitar violência por parte da Polícia. A OCUPAÇÃO É PACÍFICA, MAS os manifestantes estão dispostos a continuar no prédio…
Para saber o porque e para que leia a NOTA, abaixo:
Nota das Brigadas Populares à imprensa e à sociedade:
Copa Sim! Despejo Não!
Todos sabem que Belo Horizonte irá sediar a Copa das Confederações em 2013 e a Copa do Mundo em 2014. Porém, nem todo mundo sabe o verdadeiro legado que esses megaeventos esportivos podem deixar para o povo, especialmente para as *comunidades e setores pobres da sociedade*. Bilhões de reais serão investidos para a reforma do Mineirão, para a ampliação do aeroporto de Confins, construção de viadutos, alargamento de avenidas e construção de hotéis de luxo para os turistas.
Infelizmente, *o lado perverso das ações do Poder Público contra a população pobre é omitido pela propaganda mentirosa dos benefícios da Copa*. Comunidades já estão sendo removidas para dar passagem às obras como, por exemplo, a Vila Recanto UFMG, localizada na Avenida Antônio Carlos. As indenizações pagas não permitem às famílias adquirir uma nova moradia em BH. Somente no entorno do Anel Rodoviário, estima-se que *mais de 3 mil famílias serão removidas*. Na Mata dos Werneck, próximo ao Ribeiro de Abreu, o *quilombo Mangueiras* está ameaçado de desaparecer do mapa em função do mega projeto imobiliário que será implantado na área que deixará de ser a *última grande área verde da cidade *para se tornar uma nova Regional destinada às classes privilegiadas. Além disso, setores vulneráveis da população, como moradores em situação de rua e trabalhadores informais ambulantes, têm sofrido *forte repressão da Administração municipal e das forças policiais do Estado*.
Como se não bastasse, o Governo do Estado tentou repassar a preço de banana o prédio do IPSEMG localizado na Praça da Liberdade (esq. Com Av. João Pinheiro) para utilização por um grande hotel de luxo. O consócio vencedor do empresário Fazano foi o único participante do processo licitatório que, de tão fraudulento, ilegal e imoral, foi anulado por decisão do Tribunal de Contas do Estado. A rede Hoteleira do empresário, amigo de Aécio Neves, pagaria menos de 15 mil reais por mês para usar o valorizado imóvel do IPSEMG por 35 anos, indefinidamente prorrogáveis. Um crime contra o patrimônio público e contra o povo mineiro.
Não é essa a Copa do Mundo que queremos, com licitações ilícitas, remoções forçadas, despejos violentos, repressão sobre os pobres e falta de transparência.
Por isso ocupamos legitimamente o prédio abandonado do IPSEMG, para denunciar as violações de direitos humanos justificadas pela Copa do Mundo e fortalecer a luta por uma cidade onde caibam todos e todas!
*Contatos com: Joviano Mayer, cel.: 31 8815 4120 ou Rafael, cel: 031 8812 0110.
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“Há uma década e meia, alguns de nós resolveram ver o que conseguiam se dedicássemos nossas vidas inteiras a lutar contra o capitalismo. Esse encontro traz um resumo dos projetos e experimentos que tiveram lugar sob o nome da Crimethinc. desde então, avaliando suas forças e fraquezas e a forma como elas se transformaram.”
Integrantes do coletivo de ex-trabalhadores Crimethinc. estão fazendo curta turnê por algumas cidades brasileiras, e nesta quinta-feira param um tempinho em Belo Horizonte, propondo trocas de experiências e lançando seu novo livro-pôster: Work.
Como chegar?
Ônibus: 5031 e 5101: param pertinho da rua Elza. No centro, passam na João
Pinheiro, seguem pela Afonso Pena, ali no Parque Municipal, sentido Praça
Sete.
Metrô: descer na estação e terminal rodoviario São Gabriel.
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“Crimidéia não leva à morte: crimidéia é a morte.”
- George Orwell, 1984 -
O CWC ou CrimethInc. Ex-Workers’ Collective (que poderia ser traduzido como ”CrimethInc. Coletivo de Ex-Trabalhadores” ou “CrimethInc. Ex-Coletivo de Ex-Trabalhadores”) é uma rede descentralizada composta de várias células autônomas.
O nome é uma referência ao livro 1984, de George Orwell, onde a crimeidéia ou thoughtcrime (crimethink, no que Orwell chamou de novilíngua) seria o ato de cometer um crime simplesmente por ter pensamentos que fossem contrários aos da ordem dominante. Tendo a letra “k” trocada pelo “c”, formando Inc. (abreviação para incorporated, como uma empresa).
Surgido como um coletivo nos Estados Unidos da América em 1996, de lá pra cá se espalhou por todo o território nacional e para fora deste. Atuante tanto no campo das ações diretas quanto no da produção teórica, a influência do CrimethInc. é notória em toda uma geração anticapitalista autônoma, principalmente na Europa Ocidental e América do Norte (onde seus materiais impressos, presença e ações são mais visíveis).
O CWC é conhecido também por uma produção literária de qualidade, tendo publicado influentes obras como Expect Resistance, Recipe for Disaster e o mais recente Work. Seu primeiro e mais aclamado livro, Days of War, Nights of Love (Dias de Guerra, Noites de Amor) “foi um grande marco no meio das idéias e movimentos anárquicos de todo o mundo e uma das obras mais importantes produzidas por anarquistas nessa virada de século”, [citando o site do Coletivo Você Tem de Desistir, co-responsáveis pela gestão do Espaço Impróprio em São Paulo e organizadores da miniturnê CWC Brasil 2011], e acaba de ser traduzido para o português pela Editora Deriva este ano.
Algumas pessoas ligadas à células estadunidenses do CWC estão pelo sudeste brasileiro promovendo debates, dando palestras, realizando oficinas e apresentando seu material (assim como o livro Work, saído do prelo) entre os dias 22/04 a 08/05. E conseguimos, há uma semana, confirmar a passagem dessa minitour (de agenda apertadíssima) por Belo Horizonte, nos dias 28 e 29 desse mês (quinta e sexta dessa semana)! Portanto, não percamos a oportunidade trocar algumas idéias e acervos (sejam reais, oníricos e impressos).
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em resposta a:
http://comjuntovazio.wordpress.com/2010/04/21/pixacao/
e ao próprio [...]
___________________________
talvez a crítica possa se aprofundar se considerarem analisar a natureza desse desejo-questionamento. o que seria criticar, se opor, até que ponto a negação é apenas isso.
seria cínico o discurso-fachada-revolucionária de dizer que não quer nada que tem na instuição-arte.
postulando:
(se bobear, até num sentido mais geral que nesse assunto arte-antiarte) talvez esteja intrínseco à rejeição o desejo de se tornar parte destacada no que se combate. essa contradição me parece infurtável. “quem desdenha quer comprar”. conheço ações do próprio [...] que são criticáveis dessa mesma forma…
é tudo uma questão de como se enxerga, conveniência de termos (crítica, inserção).
além das considerações comuns (a arte/sistema absorver toda forma de oposição, alimentando-se disso): talvez essa alimentação aconteça justamente porque não é possível estabelecer limites claros entre o que se critica e o que se admira.
o objeto em ataque é ainda mais identificador para o atacante que sua contra-proposta, quando esta existe:
o crítico não o seria se não existisse o que criticar. ele faz disso sua práxis. não cria nada, se alimenta do que existe e alimenta o que existe.
salvo situações onde isso é claro ou útil, a coisa toda não pode ser definida como um sistema (em análise – um sistema científico (?) ). onde começa e termina o espaço que se critica aí chamado de arte? as interações com ele também não são investigáveis como parte do próprio? essa interações (sinais – input, output) são controláveis ou controladoras???
acho mais coerente evitar esse modelo dual e assumir que as coisas não são tão separáveis assim num extremo lógico. é isso que a instituição arte faz, e é por isso que ela se sustenta sendo uma quimera invencível e absorvente de tudo. um monstro de lama.
assim, toda forma de ataque é uma espetacular contribuição. não por simples contradição no discurso ou nas ações. mas por definição.
solução? _____________ .
saída? a indiferença.
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O Exército Chapatista de Libertação Culinária – ECLC , contra todo tipo de desperdício (incluindo de alimento, de ludicidade, de criatividade), nos termos do Manifesto, incentiva as seguintes posturas práticas dentre outras tantas que a imaginação e disponibilidade de cada um permitir:
1) Para saber cozinhar basta saber comer. Prestar atenção na própria comida, experimentar-provar várias coisas diferentes. Comer mesmos pratos feitos em situações diferentes e por pessoas diferentes e ver que não são iguais. Ser experimental, sentir os cheiros, os sons e as cores dos alimentos e de todo o contexto inclusive o próprio corpo (ver item 4).
2) Várias cascas de alimentos são comestíveis, aproveitá-las. Não as de plástico (ver próximo item).
3) Observar os próprios resíduos.
3.1) O resto da refeição anterior pode se tornar uma refeição melhor ainda agora. Misturar elementos-restos com ingredientes frescos. Evitar desperdícios. Resto não é lixo, é ingrediente.
3.2) Mesmo o que não é mais alimento tem alguma utilidade. Reutilizar antes de reciclar evita mais desperdícios (inclusive de criatividade).
3.2.1) Reutilizar embalagens. Evitar embalagens; quase sempre ela é dispensável, ela é anti-natural, é poluente, cruel, mesquinha, ilusória, literal e metaforicamente superficial. Entretanto se for estritamente inevitável, preferir as que se pode re-utilizar. Potes, latas, sacos. Vegetais precisam ser guardados na geladeira em um recipiente fechado depois de cortados. Coisas precisam ser guardadas. Alimentos eventualmente precisam ser transportados. Latas de metal são panelas. As utilidades são incontáveis.
4) Ter saúde é saber ouvir o próprio corpo. Comer bem é comer o que faz bem para cada corpo. Dormir bem é dormir o suficiente para cada corpo, suficientemente confortável para cada corpo. Não se dispensa nenhum conhecimento científico ou popular ou milenar ou de qualquer outro canal a princípio legitimador. Entretanto nenhum modelo de comportamento saudável se aplica perfeitamente e igualmente a todos os organismos.
4.1) Nem todos precisam emagrecer. A maioria não precisa. A maioria está vendo TV demais. Desligar a TV para ouvir melhor o barulho da água fervendo.
5) O que é chamado de lixo é cheio de comida. Sabendo procurar e selecionar, pode-se sobreviver de coisas dispensadas por outros. Pode-se boicotar boa parte do processo consumista-capitalista com ações simples como esta. É claro que não é uma tática sustentável a longo prazo por quantidades massivas de pessoas. Mas o ECLC não é um movimento de massa… é de massas e de cozidos, assados, frituras, saladas…
6) Aplicar táticas de agricultura alternativa se possível. Controlar toda a trajetória do alimento é a emancipação. A longo prazo é essencial. O ECLC pretende desenvolver ações desse tipo em um futuro próximo. Entretanto é comum poder manter vasinhos com temperos e hortaliças até num apartamento – por exemplo cebolinha, pimenta, couve, tomate. Ter cuidado com os vegetais que se cria é equivalente a cuidar do próprio corpo.
7) Improvisar. Não ter medo. É assim que surgem as melhores idéias.
8 ) Estética. Todas as ações do cotidiano são expressivas, são significáveis e belas na medida do possível e do desejo. A (anti)culinária é uma delas.
9) Divertir. Causar prazer. Sozinho ou não: curtir. Só porque é vital não significa que tem que ser chato. Sobre-viver.
10) Não depender de ninguém. Não ter assistentes, acontecer ajuda-mútua. Qualquer ajuda é bem-vinda e toda idéia a princípio é boa. Aprender e ensinar são processos indistintos, e limitar os papéis é limitar o alcance da troca. É possível uma (anti)culinária com mais de duas mãos.
Do restaurante sem garçons,
Orni Torri Inco
Anti-Chef
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PRAIA DA ESTAÇÃO
Um evento de Qualquer Natureza!
Sabado, dia 23 de Janeiro
A partir das 9h30
E foi assim: descobrimos que BH tambem tem praia! Agora é aproveitar a onda para questionar os governantes e donos do poder:
- QUAL É A DESSE DECRETO! ESSA PRAÇA É NOSSA!
Para @s desavisad@s, caiu sobre a praça, na surdina da virada do ano, um decreto que proíbe “eventos de qualquer natureza” na praça da Estação. Qual a sua opinião?
Compareça para curtir a praça e conversar sobre isso!
Venha de roupas de banho, leve toalhas de praia, guarda-sol…
não esqueça tambem bola, peteca…
Tambores, violão, trompete…
E protetor solar!
Cartazes, banners tambem são bem-vindos!
E mais o que você quiser! A praia é nossa!
OCUPE A PRAÇA COM EVENTOS DE QUALQUER NATUREZA!
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Tá rolando o blog da questão da praça da estação. Acessem:




