
Trazemos partes do texto “Vendavais e Pocilgas”, que avalia a cidade e a Praça da Estação frente ao Mundial de Futebol e o que ocorreu com os espaços públicos de Belo Horizonte.
Quando recebemos os textos, quem o redigiu fez pedido de que publicássemos apenas a primeira e a terceira parte, junto ao apêndice final. “A segunda parte pede revisões de segurança quanto a algumas informações utilizadas”. Continuidades de “Porcos e furacões”, que postamos como material informativo há pouco mais de um mês. Mas já havíamos nos deparado com esses trechos no blog Praça Livre BH, antes.
Esse texto acaba por tecer uma análise enquanto os olhos encontram-se hipnotizados pela luz das tevês que, agora após a Copa, prometem estar mais baratas nas prateleiras diversas.
E as Praças? E as Praias? Veja a seguir um pouco mais dessa novela que não deve acabar. De brinde, alguns links complementares, para reforço das questões de pais e filhos etc:
-Filho de Lacerda e a campanha pelo Código de Posturas de BH
-Blog de Luís Nassif re-aquece discussões sobre os decretos de Lacerda e a concessão à Coca-Cola
Desfrutem.
A.G. & E.P.
Filed under: Censura e Monitoramento, Cidades | Tags: Cidade Situada, Praça da Estação
Vejam que as coisas continuam se aquecendo. Dentre outras iniciativas, chamam para a construção de uma espécie de jornada de atividades na Praça da Estação. Há mais de um mês que o assunto tem sido tópico de várias discussões, na rede ou nos encontros perambulantes por aí – nas ruas, espaços, festas etc.

Além das quatro Praias – que têm sido as ocupações da praça com mais notoriedade midiática -, a Praça da Estação vem abrigando ainda encontros outros, nos formatos que cabem às pessoas dispostas. Saraus, encontros para produção de materiais gráficos, trocas de oficinas, rodas de capoeira, bate-papo… Enfim, uma onda específica que evoca, no seu básico, a necessidade de ocupar a cidade e gozá-la, que jorra questionamentos com “criatividade”, e que quer, ao mesmo tempo, dificultar o trabalho dos que vivem de expropriar espaços e manejá-los sozinhos. Nada mais que fermentar a quebra de um tabu difundido, desde a fundação de BH, entre a maioria dos seus moradores – algo que se sustenta a partir da própria história que veio sendo construída por aqui, há pouco mais de 100 anos: histórias da tranquilidade de nossas tocas, casas e redutos; histórias que raramente se fizeram sair rumo a espaços abertos da cidade para neles instituir meios de discussões, perguntas e tentativas de ações, frustradas ou não; para significá-lo segundo critérios de quem o legitima estando nele, de várias formas. O tema do “público” não se reduz a mera questão de gestão. Diz respeito a como andam nossas vidas numa cidade que queremos vivenciar.
O tabu: encontrar e conversar nas ruas, inclusive sobre os problemas que são nossos. É fácil pensar que isso reforça atitudes como a que quis passar o cabresto na praça, vindas das mãos dos que compõem, há muito tempo, as cadeiras dos carrascos dessas terras. Podemos pensar no quanto tudo isso representa algum tipo de guinada muito peculiar, pois além de fechar tudo que é espaço “cultural” de BH, o senhor prefeito e comparsas têm as estúpidas condutas de quem se vê como donos da cidade. Cremos que não mais, não mais… Pois o que faz disso tudo parte de um contexto especial é justamente o modo como o ambiente das ruas tem sido tomado sem muitas restrições, de um modo festivo, lúdico e ativo. E mais: pelas NOSSAS questões.
Parece que a ditadura da vigília e da higiene-no-branco deixou de passar despercebida, pelo menos numa das escalas dessas ocupações. Essas ondas não morrem na praia. Pelo contrário, querem se alastrar, tomar espaços, incomodar aqueles que estão bem acomodados em seus gabinetes de gestores, sem querer diálogo com ninguém, aparecendo tão-somente nas figuras da polícia e das guardas e dos decretos.
Vejam abaixo o chamado que recebemos.
A.G.
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Outro material informativo do CIDADE SITUADA. Ao compasso das ocupações que estão tomando a Praça da Estação (encontros, saraus, praias, diálogos) em BH, num processo de crítica e renúncia extrovertida, foi criado um blog que está concentrando textos aleatórios, livremente postados. A senha do blog é aberta (consta como primeiro post da casa).
A Praia da Estação já resiste há um mês – e muitos outros projetos pipocam, tomam forma, se fazem, além da Praia. Atravessou as unhas de outros decretos mais, além daquele que proibiu eventos de qualquer natureza na praça. Um deles conceituou e definiu o termo “evento”, dando-lhe as devidas “naturezas” para confirmação do decreto 13.798/09, por si só mais do que vago. Outro intituiu uma comissão burocrática para controle e filtro de eventos na praça – a ressaltar, sem qualquer cadeira para não-especialistas. Segue indo…
O link que lhes passamos consiste numa historinha sobre a Praia:
http://pracalivrebh.wordpress.com/2010/02/10/praia-da-estacao-o-mar-revolto-das-minas-gerais/#respond
O blog Praça Livre BH: pracalivrebh.wordpress.com
Façam proveito.
Filed under: Cidades | Tags: Cidade Situada, Praça da Estação, vigília e controle

Para engrossar nosso acervo de textos, deixamos aqui um material informativo para o CIDADE SITUADA. O contexto demanda por textos mais recentes, por isso colhemos esse artigo que se coloca ao calor de acontecimentos atuais da metrópole Belo Horizonte. Em sintonia com os eventos que [afora os trocadilhos] proibiram “eventos de qualquer natureza” na Praça da Estação (hipercentro de Belo Horizonte), a partir de decreto publicado pela prefeitura, no final de 2009, vai aí um artigo que recebemos por e-mail.
Desfrute-o… (e lembrando: “a rua não é aqui!“).
A. G.
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Nossos olhos vêem, pois vivo é o olho!
Janaete Kyra
“Estamos nas ruas, vagando e observando, fazendo delas o abrigo de nossas recusas. Tivemos de ser preparadxs o suficiente pelas ruas para decidirmos gravar nelas os nossos reclamos, as nossas lamentações, alegrias e denúncias. Desta vez, viemos apregoar, dizer através delas que estamos de olho, atentxs. Pois para ver é necessário, também, viver tudo isso.”
(Provocação sobre a “derrocada dos chamados” [2010], Amigxs da Próxima Insurreição)
Coisa de putxs-da-vida sem nada a perder
