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Como vários devem saber, a mais de 15 anos vem sendo comemorado o Dia Sem Compras/Buy Nothing Day uma semana antes do Dia de Ação de Graças norteamericano. Já faz alguns anos que coletivos e grupos do Brasil utilizam essa data para promover ações, sejam ações diretas, performances, intervenção urbana, debates e etc. Ao longo dos anos esse tipo de movimentação parece que perdeu um pouco de força, mas ainda é uma data e um evento com um poder simbólico forte e inserido em uma tradição de movimentos antiglobalização muito importante.
Sendo assim, nós do coletivo [conjunto vazio] estamos propondo primeiramente uma parceria e uma rede de informações de coletivos, grupos ou individuos interessados em realizar algo no Dia Sem Compras, seja para simplesmente trocar informações ou para propor ações conjuntas entre esses grupos.
Como ponto de partida realizaremos uma ação/intervenção no dia 24 de Dezembro (que alias diz muito mais sobre a fleuma consumista aqui no Brasil do que o Dia de Ação de Graças) em Belo Horizonte, mas antes colaremos alguns cartazes informativos pela cidade e vamos proporr discussões sobre o tema.
Gostariamos mesmo que outros grupos entrassem em contato e já de inicio quero deixar claro que isso não é uma “convocação” ou “propaganda” de uma ação do coletivo, é verdadeiramente um convite para que uma possivel rede se forme.
Contato: conjuntovazio@riseup.net
[conjuntovazio]
www.flickr.com/conjuntovazio
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A ação ”Dia sem Compras” do coletivo [conjunto vazio] realizada no dia 24 de Dezembro de 2007, consistiu em:
1. Na madrugada do dia 23 para o dia 24 de dezembro, o coletivo foi a 4 lugares (já previamente escolhidos no perimetro central de Belo Horizonte: o antigo Bahia shopping na rua da Bahia, a agência do Banco do Brasil,loja C&A e a entrada do shopping Cidade) e nas portas desses estabelecimentos foram colocados fitas de isolamento (amarela com listras pretas), antes desses locais abrirem.

2. Na manhã do dia 24 de dezembro, o coletivo distribuiu paralelepipedos de rua (já previamente coletados, somando 180 pedras) , embalados com panfletos e amarrados com fita de presente. Colocados dentro de um carrinho de compras esses “presentes” foram distribuidos na frente dos estabelecimentos comerciais do centro da cidade, ao serem entregues era dito as pessoas: “Feliz Natal, tome seu vale brinde, desconto em todas as lojas…é só pegar e usar”, “pegue seu cartão de crédito”, “felicidades”, etc. Causando diversas reações nas pessoas que aceitavam ou não esse “presente”.




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Texto do Panfleto:
DIA SEM COMPRAS
COMPRE MENOS! VIVA MAIS!
Se, por acaso, um extraterrestre desembarcasse na Terra em algum dos dias que antecedem a noite de natal, seguramente o que lhe chamaria a atenção, pela intensidade, não seriam o amor, a paz, a solidariedade, mas sim a euforia desesperada com a qual compramos coisas nessa época, e como submetemos cinicamente todos aqueles sentimentos positivos ao ato de consumir. E o espantoso não é que falemos de amor quando na verdade queremos trocar mercadorias, mas que nós submetemos tudo, passamos por todas as dificuldades, proporcionamos os maiores sofrimentos, com o objetivo de preservar o consumo de coisas.
Os aspectos que constituem a sociedade capitalista e a forma de vida que ela nos impõe, que inevitavelmente somos impelidos a construir, parecem irremediáveis: a desigualdade social que deve ser necessariamente preservada para o pleno funcionamento do sistema; o modo como as empresas (sobretudo as multinacionais) passam por cima de qualquer limite ético para alcançar maiores lucros (trabalho semi-escravo e infantil, venda de alimentos cancerígenos, degradação do meio ambiente, …) e o modo como até os nossos sonhos são moldados. É especialmente no natal que as pessoas acreditam que, ao comprarem objetos caros, são beneficiadas na medida em que se alcança um certo sentimento de superioridade frente aos seus próximos. Somos colocados – por nós mesmos – nas piores situações para consumir: fazemos dívidas absurdas que nos deixam estressados e nos obrigam a trabalhar mais; compramos toda espécie de “bugigangas” que nos oferecem – cujo tempo de uso é limitado pela próxima oferta; passamos o dia com pessoas que eventualmente não são aquelas que gostaríamos que estivessem nos acompanhando, ao menos naquele momento ou daquela forma mediada por objetos.
É porque acreditam que existem infinitas formas possíveis de se relacionar com o mundo e com as pessoas que o habitam, por meio de uma lógica externa à capitalista e consumista, que pessoas de vários países organizam o DIA SEM COMPRAS. Abandonar completamente o modo de vida capitalista pode parecer inicialmente impossível, porém, existem formas de construir experiências alternativas ao modo dominante no dia-a-dia. Por exemplo, no lugar dos rituais criados apenas para aumentar o consumo, pode-se partir para a invenção de rituais próprios junto à família, amigos ou vizinhos, reuniões que de fato propiciem a relação com o próximo. Sabemos perfeitamente da impotência política que recai sobre nós. Mas, no lugar de simplesmente reconhecê-la e aceitá-la passivamente, defendemos como ponto de partida uma reflexão crítica em relação à realidade – que, em meio à alienação generalizada, pode ser considerada poderosa.
[CONJUNTO VAZIO]


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