Dia Sem Compras


Postagem Aberta! by D. Graça
janeiro 19, 2010, 6:16 pm
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Divagante:: [Confissão] Do ramo: by D. Graça
agosto 1, 2014, 3:03 am
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Desculpa se eu não sou disposição de ficar discutindo relação o tempo todo.

Nas minhas conversas, quase nunca tem amor.

Não sei por quê não.

Às vezes a grande preguiça de falar, a grande preguiça dos homens, me torna tão desamorosa.

Tão seca…

E isso não me é nada mal.

Vai verter esse diabo.



Divagante:: [Ckhatu II] Salud! by D. Graça
agosto 1, 2014, 2:38 am
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Divagante:: [Devaneios] Ciclos desintegrados by D. Graça
março 18, 2012, 1:53 pm
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“Voltar… voltar é vertigem!”

Faz tempo que aprendi que nunca há volta, que toda situação é uma situação sem retorno. É por isso mesmo que desacreditei, quando ainda era moleque, de qualquer possibilidade de revolução que não for cotidiana – esse estado de transformação que nunca é percebido enquanto está sendo feito e que sempre passa deixando frestas e escombros de uma era passada. Para muitos astrólogos de séculos atrás, esta palavra – “revolução” – significava retorno a um estado de equilíbrio, que seria a revelação de alguma natureza de ser das coisas, estável. Não existe volta… o que fazemos é simplesmente continuar dando voltas, dando passos e refazendo nossos sintomas de estar vivxs ou de estar mortxs ou de viver tão-somente. Enquanto a vida é ainda uma possibilidade… enquanto a vida ainda vale a pena por suas surpresas miúdas. Quando eu quiser cair, vou cair, vou me jogar – não dá pra desistir no meio dessa escolha, ao se jogar a queda e o baque são inevitáveis. A vertigem é mais ou menos isso: desistir e se arrepender quando a queda já não pode ser desfeita – “o medo da queda, a voz do vazio debaixo de nós”.

Solidão, um mar sem fim

Voltei a visitar abismos e a sentir meus passos me guiando sem interrupção até eles. Vi mais mares revoltados, fazendo estrondos bem no fundo de cada sentido meu. Sinto vir dali um um apelo desesperado e desesperançado, que é o eco que responde aos gritos do meu íntimo, repetindo contra mim as mesmas perguntas, me obrigando a dar a elas as minhas próprias respostas. Quando percebi, eu tinha calor, não sentia mais o frio e me movimentava mais leve e suave, pois vejo que depois de cada golpe não perco a capacidade de questionar e me fazer questões. Ainda vivo… Escolhi o deserto como exílio para acalmar o coração.

Lembrar é ser visto

Me atormentei de lembranças até ver que elas me animam e conectam cada parte de mim a tudo que desejo, tudo que amo. Se não fosse isso, sem dúvida eu já estaria aniquilado. Porque todas as novas minúcias que eu desvendo me convencem de que tenho novos presentes a dar para aquelxs com os quais quero estar. Tu és parte disso, pois em cada descoberta minha, em cada novo mundo que crio, abro e visito, encontro parte do que aprendi contigo e outrxs. Por vezes, sinto alguém… muitas vezes me deixo levar pelo vento, pelo que o vento me diz.

Sobre lembranças e distâncias

Na medida em que passa o tempo, sinto menos. Minha memória trabalha bem, mas tenho problemas em cultivar o que não existe materialmente e agora. Distância e ausência. Os cheiros e sensações ficam cada vez mais abstratos, se tornam poesia de puro pensamento. Parece tudo ilusão da minha cabeça… sonhos mal recordados… invenções minhas. Onde você está?

Estranhar um novo velho lugar

Curto aproveitar esse lugar de forasteiro e não ter compromissos com histórias que ficam se contorcendo dentro de mim. Acho agradável poder ser qualquer coisa, porque não sou nada nem ninguém nessas situações, só um estranho. Não há espécie mais domesticável que o bicho-homem. Nos adaptamos a qualquer repetição medíocre. Por ser tão pouco, por saber tão pouco sobre tão poucas coisas, muitas vezes prefiro, em vez de ser, estar. Pois ser… “ser não é ser visto”.

Processos desérticos

Me senti atropelado por tantos desses processos e momentos frágeis. Não sei onde estou, se tenho algum objetivo com minhas caminhadas. Não sei se ainda estou no deserto, se já saí. Há momentos em que não sinto falta de nada, em que não sou nada nem ninguém, em que posso atender por qualquer nome. (Eu já lhe escrevi sobre isso, sobre como eu lido com a condição de forasteiro.) Tento manter a firmeza de meus atos, pra não ser esmagado por esse atropelo que é, às vezes, estar vazio demais.

Toque de faísca

Vamos nos encontrar a qualquer hora (mesmo que isso demore anos pra acontecer). É o nosso fluxo indecifrável e inevitável. Com mais fibras nas asas, mais destreza no vôo, mais dureza na queda, no baque contra o chão. Mais faísca, mais fogo e calor a espalhar – antes da penumbra em nossos corpos.



Carnavalizar o Urbano. Avante BH! by D. Graça
fevereiro 27, 2012, 8:01 pm
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Por Joviano Mayer[1]

“Vai passar nessa avenida um samba popular. Cada paralelepípedo da velha cidade esta noite vai se arrepiar. (…) Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar a evolução da liberdade, até o dia clarear. Ai que vida boa (…)” [2]

É na cidade medieval, inserida no contexto do mal chamado “período das trevas”, onde nasce o carnaval como o conhecemos no ocidente, antecedendo o período da quaresma. Essa mesma cidade acolheu os servos que fugiam da opressão do feudo para se organizarem em corporações de ofício. O assalariamento, a grande indústria e o próprio capitalismo vieram em seguida e aniquilaram o associativismo e as relações forjadas até então com o espaço produzido. A cidade, gradativamente, reproduziu as contradições sistêmicas da nova ordem social, mercantilizou-se para ser vendida aos pedaços, um produto e não mais uma obra genuinamente humana. O privado se revoltou contra o público e a festa, antes na rua, torna-se fechada, privada.

Porém, a cidade, talvez a maior invenção da humanidade, recobra sua condição originária, ambiente da felicidade e da realização pessoal, lugar em que foi possível concentrar “os milagres da civilização moderna”[3] e atrair bilhões de pessoas em todo o planeta. Sem dúvida, a luta pela cidade possui hoje uma dimensão revolucionária e, por que não, emancipatória. Um grande marxista[4] diria que o futuro da sociabilidade humana depende do futuro da sociabilidade urbana.

Nesse ponto retomamos o carnaval, na urgente luta pela cidade como cenário da festa, da felicidade, do encontro, a cidade como valor de uso e não mercadoria, coletivamente produzida, coletivamente apropriada. O carnaval de rua da cor à cidade cinza e poluída, faz da rua a continuidade da casa, tal como deve ser. Das janelas, velhas solitárias admiram os blocos, jovens atiram água sobre os foliões, crianças abrem os portões e vão à rua sem receio dos carros ou da violência. A privacidade silenciosa, seja no quarto ou no escritório, é contestada pelo som dos tamborins. O carnaval de rua também trás consigo contradições, pois é refém de uma sociedade cheia delas, mas isso não lhe retira a beleza e seu potencial.

Ouso dizer que uma revolução verdadeira também deve ter como horizonte imprimir a festa na cotidianidade do urbano, e o carnaval é uma grande festa. Em Belo Horizonte, o carnaval de rua permitiu em certa medida a (re)ocupação do espaço público, a socialização da gente e a contestação do poder constituído. Nem o reto do prefeito empresário, nem a coxinha da madrasta[5] restaram imunes.

Nessa mesma cidade, há quatro anos ocorre sob um viaduto o encontro massivo da juventude do morro e do asfalto em duelos de hip hop, nos quais há duras batalhas sem qualquer violência[6]. Os indignados com os impactos da copa do mundo promovem “peladas” em praças públicas. Mas durante o carnaval as manifestações artísticas e políticas foram embelezadas com purpurina, fantasias e tambores. Os blocos, organizados sem patrocinadores oficiais, ganharam as ruas e fizeram milhares de pessoas experimentar a cidade como valor de uso. Ah! E como foi bom…

Mas é preciso estar atento! “Os moralistas querem impor sua conduta”[7]. Para ser mais direto, o capital almeja mercantilizar a festa, apropriá-la como grande negócio e conferir ao carnaval um rentável valor de troca, seja dentro ou fora do eixo. Em alguns lugares, o humano coisificado em muros separa os foliões brancos das pipocas pretas. Noutras cidades, paga-se pelo ingresso, pelo desfile, pela transmissão exclusiva, enquanto milhões prestigiam passivos pela TV.

De todo modo, em nossa cidade, (re)nasce algo diferente, ainda imune à restrita lógica da reprodução ampliada. O recente fenômeno segue estritamente vinculado à rua, ao ambiente público (re)apropriado pelas pessoas, com fantasias e apetrechos, invertendo os sexos, as morais e as leis. A polícia não sabe o que fazer, pois os citadinos não estão bravos, mas sorrindo, não brigam, beijam-se libertinos, não portam armas, mas tambores, pirulitos e flores, além do que, não são apenas negros, são de todas as cores – e quantas cores!

Se liga, autoridade! Para um povo que fez da praça privatizada uma linda Praia, não é impossível fazer da cidade uma linda festa, onde caibam todos e todas!

[1] Militante das Brigadas Populares que pulou, amou e fez política no inesquecível carnaval (não oficial) de Belo Horizonte.

[2] Música Vai passar, composição de Chico Buarque.

[3] ENGELS, Friederich. A questão da habitação. São Paulo: Acadêmica, 1988.

[4] PAULA, João Antônio de. As cidades e A cidade e a universidade, in As cidades da cidade. Belo Horizonte: UFMG, 2006.

[5] Referência às marchinhas da Praia da Estação e da Coxinha da Madrasta.

[6] Referência ao Duelo de MC’s promovido pelo Coletivo Família de Rua, debaixo do viaduto Santa Teresa, em Belo Horizonte, toda noite de sexta-feira, sem qualquer apóio da Prefeitura.

[7] Marcha do bloco da Alcova Libertina.



Divagante:: [Réplica] Caminhos by D. Graça
fevereiro 23, 2012, 11:42 pm
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Tem tempo de estar “asa” e tem tempo de estar “raíz”… Nem sempre há escolhas (e o posto é doloroso por igual – a total liberdade de escolha pode revelar encruzilhadas múltiplas) e o “estado” de voar ou “estado” de estar fincado podem se embaralhar: por vezes podemos ser atados por nossas próprias asas e por outras semeamos e somos semeados pelos ventos mesmo que imóveis…

Sou otimista! Assim procuro ver o longo desenrolar. Quando reflito é assim, quando estou metido o sangue borbulha e a aceleração dos batimentos e da mente me fazem explodir.



Divagante:: [Envio] Caminhos by D. Graça
fevereiro 23, 2012, 11:38 pm
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Cada movimento meu me leva ao abismo. Estou caminhando, mano. Experimentando novos rumos solitários, insistindo na idéia de que devo manter-me dinâmico, vivo, movimentando o corpo, sem perder o fio. Mas vez ou outra me vejo perecendo, sentindo o frio, sentindo a falta, sendo a todo tempo, existindo dentro e fora do tempo, a todo o tempo, superacumulado de meus sentidos e atinos. Falhando em minhas passagens, me injuriando com iniciativas faltosas, ineficientes, equivocadas. Mas sigo… passo a passo.

Tenho pouco tempo – Respiro ar pesado de verdade, meio perdido e muito livre, para ser o que eu quiser, para estar onde eu quiser. Os apertos me consolam, logo que vejo que adentrei um portal de caverna imensa, cheia de renovados mistérios, sutis uivos de leveza, pesadelos e prazeres. Sutis! Falta sutileza (falta demais) nessa época tão hostil, tão repulsiva para com o que se sente e que não pode ser visto. Pego fôlego para não sufocar, quando penso que construí um mundo tão severo e incompreensivo – tão voltado ao próprio umbigo. Vou indo, satisfeito e “livre”, apesar de tudo.



Carta de Luciano Pitronello, Tortuga, a sete meses de se acidentar by D. Graça
janeiro 8, 2012, 11:38 pm
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Primeira carta de Luciano Pitronello

1 de Janeiro de 2012

A 7 meses de falhar o ataque…

Carta aos corações indômitos

Difícil se faz começar a escrever quando sei que tenho muito o que comunicar e mais ainda por calar, o silêncio se fez um grande companheiro e não em vão, pois meus inimigos desejam isso, que me explane com minhas ideias, que justifique minha ação ilegal, para poder aplicar a lei antiterrorista e poder sepultar-me, inclusive na condição que me encontro, desejam este troféu de guerra, um jovem com múltiplas feridas, prisioneiro por não haver-se enganado com a comodidade de uma revolução marcada dentro do politicamente correto. O poder ambiciona com meu julgamento, que a senhora em casa diga a seu pequeno rebelde que assim terminamos xs idealistas, xs que nos atrevemos a sonhar, que nem o pense, que começa com a rebeldia própria da idade e que se não freia pode terminar em terroríficas consequências, justificar através do meu exemplo, o sistema carcerário, a repressão para o “bem de nossxs filhxs e do futuro”.

Sei que o poderoso deseja isso, ou ao menos o espera, que de uma ou outra maneira, me manifeste publicamente, por isso preferi o silêncio, penso que é muito melhor que nestes momentos falem por mim meus companheiros, conhecidos ou não, tal qual, em inumeráveis jornadas pela libertação animal, soube falar pelo que não o podia, creio que agora deve suceder o mesmo, por que sinceramente penso, que outrxs companheirxs , inclusive de diferentes partes do globo, já o fizeram com esplêndidos resultados, não só com tudo que envolve minha moral, mas com tudo que envolve a solidariedade, a qual me atreveria a representar-la como a primeira peça de uma grande fileira de dominó, aonde se empurra a primeira, e a segunda derruba a terceira e assim sucessivamente, onde minha moral viria a ser uma peça a mais do dominó, aonde está também o dano ao sistema, ao romper com suas lógicas autoritária, a estima que gera a ação, tanto a nível individual como a nível coletivo, além de ser um degrau mais no conflito com a realidade e assim poderia passar dias enumerando os distintos efeitos que poderia ter uma ação solidária.

Fora isso, tal como meus inimigos desejam que me comunique, sei que muitíssimos companheiros também o desejam, e saibam que o sei e sinto muito, por que tiveram que passar vários meses na incerteza para receber alguma notícia, lamento profundamente comunicar-me nessas circunstâncias, fui eu o que sempre enfatizou que a solidariedade deve ser recíproca, e acreditem que eu mais que ninguém lamentava não haver me pronunciado antes, senti que traía a mim mesmo ao me calar, “Lhe incomodará que nos solidarizemos com ele”?Especulava que pensavam ao interpretar meu silêncio, mas tenho uma pequena e linda filha que necessita a seu pai e tão pouco posso trair a ela. Ela me motivou ao silêncio, meus ideais me motivavam ao diálogo e vocês, meus/minha companheirxs de sempre me motivaram ao ponto do meio.

Não gosto de escrever sem pensar no que quero transmitir e que se entenda a cabalidade, escrever algo em minha situação necessita uma reflexão profunda. “Vale a pena”? Já que no meu caso, a diferença da maioria dos processos políticos que podem ser montagens, no meu processo já está provado, por que eu efetivamente portava uma bomba com destino a filial bancária localizada em Av. Vicuña Mackenna com Victória, ponto central da capital.

De minha parte desejava comunicar tudo. Por que falhou o ataque?Como poderia ser omisso a algo tão relevante? Ou inclusive: por que este banco? Politizar um ataque anticapitalista não é só fazer apologia da violência, é também botar a corda no pescoço e isso jamais!Por que enquanto estiver vivo eu planejo seguir lutando, não me importa se me faltam alguns dedos, uma mão,o ouvido ou a vista, seguirei adiante e como de lugar, isso devem saber tanto meus inimigos como meus companheiros.

Então me pedem que rompa com o isolamento, com o hermetismo que ronda minha pessoa, planteio que me envergonharia comunicar-me simplesmente por fazê-lo , ao que me responde com um golpe minha consciência:E teus companheirxs? Penso que comunicar-me com elxs é algo banal e sem importância? É verdade, não necessito vomitar todo o ocorrido essa noite, creio que no futuro já haverá tempo para isso. Então querem saber de mim?Penso que vou lutar para viver e viver para lutar até sermos livres e selvagens, não me estamparei de que sou menos selvagem se respiro de forma artificial ou não, por que creio que em situações como essa onde aflora o instinto mais selvagem do homem, o de sobreviver, não pretendo aludir a ninguém em especial, por que sei que muitxs companheirxs desejaram minha morte com os melhores desejos, mas quero que daqui saia uma lição para todxs, não se pode desejar a morte de um companheiro assim tão solto de corpo, claro, ao menos que o companheiro o manifeste, mas se fosse esse o caso, a pessoa buscaria os meios para pôr fim a sua vida, sem que com isso gere uma causa judicial a terceiros(homicídio). Por que?Que haveria ocorrido se por “fazer-me um favor “ , me houvessem assassinado? Quem são elxs que se dizem meus companheirxs para julgarem se vale a pena ou não que eu siga com vida? O único que é capaz de tomar semelhante decisão é o indivíduo, só ele sabe o que realmente deseja, e particularmente eu desejo seguir vivo para continuar lutando.

Por outra parte quero que saibam que agradeço todas e cada uma das ações solidárias que tiveram para comigo, as faixas penduradas em distintas partes do mundo ou aquelas mensagens que carregavam xs mesmxs solidárixs, chegavam aos meus ouvidos de uma ou outra maneira, cada panfleto, cada boletim contra-informativo, cada espaço de suas vidas que dedicaram a mim o guardo como um tesouro, saibam que me interei de tudo e que neste mundo não existem palavras para meus sentimentos de gratidão, por que cada bombaço, cada incêndio organizado em meu nome estão em minha mente. Jamais poderei esquecer o valente que foram meus companheiros mexicanos, xs insubordinadxs que souberam ser meus companheiros da Grécia, queria abraçar aos selvagens da bolívia e dos EUA, saudar afetuosamente aos rebeldes da Espanha e Itália, aos libertários da Argentina, ânimo! Como deixar de mencionar aos iconoclastas da Indonésia, força imãos/irmãs! Aos/as anônimxs da FLA e FLT na Rússia e no mundo. Aos/as companheirxs presxs espalhadxs pelo globo, lhes mando todo meus carinho nestas humildes letras, a companheira Tamara, presa no México(1), a Gabriel Pombo da Silva, preso na espanha, A marco Camenish, preso na Suíça, as/aos companheirxs sempre dignos da Conspiração das Células de Fogo, como invejo sua coragem e obviamente, a minhas/meus companheirxs do território controlado pelo estado do $hile, a vocês que xs conheci em pessoa, saibam que os levo em meu coração, por toda parte, jamais me separei de vocês por que xs levo em meu sorriso, sei que em uma carta jamais poderei agradecer a todas e cada uma das ações, espero que se entenda que não quero excluir a ninguém, as formas com que se solidarizaram comigo são tantas e tão diversas como a luta mesmo, desde ações ilegais, até atividades, chamadas telefônicas, mensagens por internet, canções e sons libertários, enfim quero que saibam todxs e cada um/uma de vocês, rebeldes solidárixs que este louco pela liberdade, jamais, jamais os esquecerá, souberam estar grandes como os arranha-céus e golpear aonde dói, e sobretudo fizeram brilhar as estrelas com sua entrega e isso é digno de imitar.

Gostaria que soubessem o que gerava em mim a solidariedade aqueles dias onde nada tinha sentido, onde aprender a refazer minha vida não tinha nenhuma pitada de lógica, por que saibam que estive mal, o que sucedeu a mim o desejo a muito poucas pessoas, por que foi horrível e aonde mais obscuridade havia, apareciam vocês , gestos pequenos que me empurravam a não renunciar. Como trair a aquelxs que botam suas vidas em jogo para dar-me ânimo? E aprendi a conquistar a vida de novo, sei que vocês jamais dimensionaram o importante que foram. Agora me encontro forte como nunca, a prisão longe de amedrontar-me me faz estar forte como naqueles dias, paradóxica é a vida, por que sempre disse que ter companheirxs na prisão não deveria ser motivo de amedrontamento, se não, todo o contrário, devia ser a razão da mecha na garrafa com gasolina, ou do incinerador da carga explosiva ou incendiária, do sorriso dos corações inssurrectos depois de uma jornada de ataque, assim acreditava antes e assim sigo acreditando, e agora sou eu o que se encontra prisioneiro, portanto se meus inimigos não conseguem intimidar a mim que me encontro em suas garras vejo difícil que o façam com meus companheiros.

O cárcere planejo enfrentar da mesma com que enfrentei a sociedade, com dignidade e alegria, jamais de uma forma submissa, como se falou em uma ocasião, fazer o cárcere combativo. Lhes conto que me encontro na seção hospitalária do presídio Santiago 1, aqui se vive um regime similar ao módulo de segurança máxima do presídio de alta segurança, mas sem pátio, sem rádio, sem TV, com uma visita semanal de no máximo 2 pessoas e com o risco de contagiar-te das enfermidades dos outros presos. O quarto é compartilhado e é maior que uma cela, por esses lados a chamam a cadeia dos loucos, por que aguentar por aqui por muito tempo é para ficar louco, ainda que eu sou da ideia de o que não te mata te faz mais forte e como dizem por aí: “Xs loucxs, somos os que temos os sonhos mais lindos”. Lhes conto que faço muito exercício para recuperar a musculatura que perdi, canto bastante sobretudo essas canções que não agradavam a ninguém, escrevo cartas a minha pequena todas as semanas, as vezes, se é que tenho companheiro de peça, jogo xadrez ou conversamos, de maneira geral os presos me tratam c om muito carinho e me ajudam bastante. Sigo rigorosamente meu tratamento para a reabilitação e tento dar-me ânimo eu mesmo quando a informação do exterior escasseia, lhes conto também que me propus muitos projetos, em alguns já estou trabalhando e outros são para depois que cumpra minha pena.

Penso que assim um rebelde se converte em guerreiro, quando volta a levantar-se por mais forte que

tenha sido a queda, que é capaz de ver uma realidade ainda que tenha tudo a perder, um/a guerreirx não tem que saber confeccionar uma bomba ou manipulá-la, tão pouco tem técnicas de camuflagem, isto são coisas que se aprendem por complemento, xs guerreirxs são perigosxs por suas ideias e princípios, por que vão até as últimas consequências, sempre firmes, imquebráveis, por que não traem a si mesmxs, nem a suas/seus companheirxs, por que sempre estão atentxs, por que não se deixam levar por um cahuín ou pela capucha (2), por que se tem problemas os enfrentam, se tem aflição choram, e se tem alegria riem, por que sabem transitar por uma vida plena, nem por isso tranquila, essxs são xs verdadeiros guerreirxs, agora, nesta guerra são muitas as ocasiões de gozo, mas também há momentos de amargura, pois é uma guerra, não uma moda juvenil, e enfrentar-se ao sistema de dominação utilizando a estes termos pode trazer nefastas consequências e devemos saber de antemão, por que um erro, um pequeno descuido muda tudo, sempre se disse e eu isso o tinha entendido, portanto atuei de acordo com os termos que queria utilizar. A respeito de minhas feridas cicatrizaram todas, lamentavelmente as marcas sempre ficarão, mas as porto com o mesmo orgulho que minhas tatuagens pois são a prova mais concreta de que estou convencido de meus ideiais. Como não estar? Portei esta bomba com sonhos e esperanças e isso segue intacto.

Por outro lado lamento não poder seguir aportando nos projetos que participava, entendam que para mim não havia nenhum mais valioso que outro, todos e cada um significam um aporte a guerra social e anseio que estes projetos não fiquem a deriva por que não estou, pelo contrário deve ser uma motivação mais para seguir adiante, sei que não estou livre de críticas, por que se formava parte de tantos sonhos devia ter atuado não com 100% de cuidado mas com 150%.

Estou seguro que meu exemplo fechará um capítulo mais e que xs novxs e não tão novxs combatentes saberão resgatar o positivo de tudo isso, por que a luta continua e existem demasiados corações que não cabem neste mundo autoritário e desejam abrir-se caminho, por que o fizemos no passado sabemos fazer no presente, no pessoal faço um bom balanço das lutas antiautoritárias no mundo, uma ou outra baixa, mas no geral vejo um bom prognóstico.

Mas assim como a luta avança a repressão também o fará, e meu caso será usado para reinaugurar a patética montagem Caso Bombas (3), portanto faço a sugestão a estar alertas, nunca na inação, mas com cautela, por que minha autocrítica pode aplicar-se a todxs, é a ideia de compartilhá-la , o que digo tão pouco o digo a ciência certa, talvez não tentem mais montagens por temor a fazer o ridículo de novo ou talvez se atirem a piscina, com a desculpa de que meu feito está provado, portanto o chamado é a estar bem despertxs com os 5 sentidos na rua.

Para terminar quero dedicar uma últimas linhas a essa pessoa que andava comigo na madrugada do 1º de junho. Irmão/mãzinhx, sei que meu acidente deve haver te marcado, talvez quantas noites sem dormir na incertidão da cotidianiedade.”Saberão que sou eu?Se notará?Terá despertado o dia seguinte ou terá morrido dormindo?Terá me delatado? Recordo que uma vez te disse que apesar do profundo ódio que sinto do miserável que apunhalou sua companheira(4), igual acreditava entender-lo, por que deveria estar em algo similar para ver se somos tão fortes como dizemos, por que sempre acreditei que a delação é um inimigo interno. Agora te posso dizer que com certeza esse tipinho não tem culiões! Também recordo que antes de sairmos esta noite a rua, te disse que andava sem minha cabala, algo totalmente sem sentido, algo que eu sentia que me dava sorte, tu me disseste que era um louco por acreditar nessas coisas, por sorte trazia meu outro amuleto e fiquei vivo, agora podemos rir dessas leseiras. Irmã/Irmão quero que saiba que apesar de que nem sequer imagine os mals momentos que te jogam a mente o teu coração, eu sigo sendo o mesmo Tortuguita com chulé e que dorme no chão e jamais vou ter que reprovar-te nada, por que esta noite tocou a mim, em jornadas passadas haverá tocado a ti, se algo passava a segunda pessoa foge, assim o havíamos combinado e assim tinha que ser por que ainda que muitas vezes pode ter se sentido um/a traidor/a, não o és, nesta guerra que empreendemos faltam as palavras para que nos entendam. Talvez não volte a ver-te nunca mais, se é assim, sorte em todo o que venha.

Uma vez o disse e o repito com orgulho!Nunca derrotadxs, nunca arrependidxs!Desde aqui lhes mando um caloroso abraço a gente que anda clandestina.

Com o Mauri presente na memória!

Presxs em guerra a rua!

Contra toda autoridade!

Caminhando até o Nada Criador!

Luciano Pitronello Sch.

Preso político inssureicionalista

Notas da tradução:

  1. Aqui há uma errata que, apesar de termos mantido a carta na íntegra fazemos aqui esta pequena correção, a compa Tamara está presa na Espanha pelo envio de uma carta-bomba ao diretor de uma prisão.O companheiro Gabriel Pombo da Silva, é espanhol, mas atualmente se encontra preso na Alemanha.
  2. Capucha é a gíria para definir a cara tapada, seria o capuz.
  3. O caso Bombas ou “Operacion Salamandra”, como o chama o estado é a investigação dos inumeráveis atentados com artefatos explosivos que vem sendo realizados por grupos anarquistas no território Chileno. O mesmo se configura numa grosseira e descarada montagem midiática-judicial que tem encarcerado e processado uma série de companheirxs

sem qualquer evidência concreta.

  1. Se refere a Gustavo Fuentes Aliaga, ou El Grillo como era conhecido, pilantra, caguete, X-9, delator que por tempos esteve envolvido com a movimentação anárkika, vindo posteriormente a colaborar com a polícia e a converter-se em “testemunha chave” no Caso Bombas.