Dia Sem Compras


Situação de Perigo!!! by D. Graça
fevereiro 6, 2009, 9:18 pm
Filed under: Censura e Monitoramento
MANIFESTO POR UMA ANTICULINÁRIA LÚDICA DE GUERRILHA
ou 10 notas do ECLC sobre autonomia e autogestão na cozinha

Chapati: água + farinha = massa chata frita na chapa ou assada no forno; pão sem fermento. Culinária: atividade separada, hierarquizada sob determinação de especialistas”

Todo bicho-humano deve ser atrevido e demente a ponto de VIVER sua poesia”


Em conformidade com a atual conjuntura alimentar, o Exército Chapatista de Libertação da Culinária vem declarar que:

1. Não partilhamos da inércia e desleixo alimentícios sempre desculpados pela “falta de tempo” ou pelos supostos “deveres” exigidos nas tramas do trabalho assalariado, dos estudos universitários ou das válvulas de escape terapêuticas. Apressados comem cru.

2. Duvidamos mesmo da segurança nutricional do que normalmente vem sendo consumido, mediante a troca monetária, nos estabelecimentos comerciais de alimentação, sejam fast-foods transnacionais ou cantinas vegetarianas locais recheadas de pompas evitáveis.

3. Preferimos o recurso estratégico do garimpo urbano e da reciclagem improvisativa-experimental, sem a mínima pretensão, por enquanto, de fazer dele uma alternativa final às questões cotidianas da alimentação. É mais que viável comer sem ter que pagar por isso.

4. Entendemos tal estratégia como um meio possível de desvio radical em relação às práticas cômodas do consumismo e do trabalho, e não um fim absoluto que traz soluções em cadeia para os problemas globais.

5. Nossa questão é imediatamente cotidiana, portanto não necessariamente se relaciona com a histeria do social, econômico, psicológico, sexual, artístico, cultural, patológico, etc. Percebemos essa gama de categorias separadas como espécie de esquizofrenia teoricista e como baboseira que sempre favorece a fácil captura, pelas mãos dos especialistas da indústria gastronômica, de iniciativas concretas e vitais. Consideramos a guerrilha de cozinha como tudo isso ao mesmo tempo.

6. Nossas iniciativas se pautam definitivamente na vida, contra as arbitrariedades da sobrevivência.

7. Não apoiamos e nem mesmo precisamos do uso de ingredientes derivados de animais não-humanos (esses seres que também sentem, assimilam dor e sofrimento e não têm a oportunidade de reação “organizada” frente às mazelas que os onívoros humanos perpetram contra suas vidas) para a confecção de bombas… ou melhor, refeições.

8. Propomos a troca ilimitada de experiências referentes ao cultivo, produção, armazenamento e degustação de alimentos. Acrescentamos: que essa troca se dê sem mestres (normalmente uns cretinos) e alunos (em latim, sem-luz), sem oradores e ouvintes. Aprendizado livre consiste, para nós, em ser capaz de falar e ouvir, transfundir entre todos sem muito requinte. É questão de diálogo prático e organicidade.

9. Não somos ninguém e somos todos os que partilham, em teoria e prática, da necessidade de subverter o dia-a-dia vivendo. Nossas faces estão refletidas naquelas que estão cansadas de estarem cansadas. Nós, soldados do gozo e glutões assumidos, declaramos nossa guerra à monotonia e caretice que imperam nas cozinhas, meios de trabalho, escolas tradicionais, igrejas, galerias de arte, centros culturais e muitos outros paradeiros. Façamos nosso rango em todos os cantos possíveis, agora ou assim que desejarmos. O ápice da idiotia: aguardar o momento revolucionário aclamado pelos porcos historicistas para, então, decidir pela apropriação desse aspecto específico de nossa vida – o preparo de nossa comida. Esse momento já está em curso e são eles, os ativistas e militantes de plantão, que estão perdendo o bonde.

10. Se a vida fosse simples, ela não teria a mínima graça.

De mais uma cozinha ocupada nos altos montes que não podem pecar,

Anti-chef Semkara.


1 Comentário so far
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[…] todo tipo de desperdício (incluindo de alimento, de ludicidade, de criatividade), nos termos do Manifesto, incentiva as seguintes posturas práticas dentre outras tantas que a imaginação e […]

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