Dia Sem Compras


by D. Graça
janeiro 19, 2010, 1:51 pm
Filed under: Sem categoria

Praça da Estação, o Decreto, a Cidade, e as Pessoas

– Mais um ponto de vista –

Tem muita gente realmente preocupada com a situação de BH hoje. E muitos também sabem que não é uma questão especifica daqui.

A dita “revitalização” acontece em varias cidades do Brasil e do mundo e já faz tempo que esse processo começou. O recente decreto numero 13.798 de Dezembro de 2009 entra nesse contexto que atinge vários aspectos da vida das pessoas..

O dito decreto, que proíbe “eventos de qualquer natureza” na praça da Estação, incomodou muita gente por impedir grandes eventos de acontecerem na praça da estação. Grandes shows gratuitos não poderão mais acontecer lá. Eventos como o Festival de Arte Negra, o FIT, eventos de música eletrônica e outros. É uma grande perda, é verdade! Questão essa que se relaciona com discussões sobre democratização das manifestações artísticas e culturais, numa cidade que de fato é carente nesse quesito. Os eventos que lá aconteciam eram eventos gratuitos, possibilitando as pessoas a terem acesso a cultura sem gastar “muito”. Críticas podem ser feitas ao carater de parte desses eventos, mas é fato, muita gente curtiu muito esses eventos, e teve oportunidade de assistir a shows que talvez não assitiriam se tivessem que pagar.

Esse decreto percebido por um viés mais radical, participa desse processo de “revitalização” da cidade, que se intensifica e se alastra por todo o Brasil nesses anos que antecipam a realização de uma Copa do Mundo no Brasil (2012) e de Olimpíadas (2014). Por isso acreditar que não é uma politica exclusiva de um prefeito (no caso de BH, Marcio Lacerda), mas de todo um sistema social voltado para o lucro em detrimento da vida das pessoas.

Por “revitalização”, podemos entender como politica urbana que procura eliminar certas situações que possam não estar em conformidade com a ordem estabelecida ou com padrões sociais pretendidos. A miséria exposta nas ruas, sejam em forma de camelos e vendedores ambulantes, moradores de rua ou favelas e aglomerados devem ser varridos para longe dos centros urbanos. Será aberto caminho para o capital e para o consumo organizado e tutelado pelo estado e por grandes empresas. Um emburguesamento do espaço publico.

Movimentações sociais também não são bem vindas e devem ser abafadas e suprimidas, em função de uma cidade ordeira e respeitadora de suas autoridades instituídas. Para isso lançam mão de recursos legais, de engenharia, arquitetura urbana e mesmo aspectos psicológicos.

A Neurose deve ser promovida, seja pelo monitoriamento por cameras nas ruas, 24hrs por dia, ao estilo Orweliano do livro “1984” ou pelo crescente contingente policial nas ruas da cidade. Somos todos suspeitos até que provemos o contrario. Qualquer passo em falso na ordem social será flagrada pelo “olho vivo”.

A cidade tende a se tornar impessoal. Pretendem que sejamos somente massa. Devemos apenas passar pela cidade. Não ter motivos e nem encontrar situações e ambientes que nos façam parar para algo além de comprar, consumir, trabalhar ou estudar. Não devem ser concebidos como locais de convívio livre, de debate, trocas expontaneas, criação de laços com pessoas e espaços urbanos. A exemplo contrario, temos a Praia na Praça da Estação, sem esquecermos do Quarteirão do Soul, o Duelo de Mc’s, o Domingo Nove e Meia e vários outros projetos que podem estar correndo risco dentro dessa politica de higiene social.

Grandes vias são construídas, que, além desalojar e mandar favelas para longe abre vias que priorizem carros e veículos individualistas. Ao passo em que o sucateamento e elevação dos custos do transporte coletivo progride, e meios de transporte alternativos e mais humanos como bicicletas caem no esquecimento.

Muitas outras questões podem ser levantadas.

O caso da praça da Estação é bem especifico. Trata de uma praça da cidade. Mas, além dos efeitos imediatos desse decreto, a questão se reflete em uma tendencia maior.

É possível aliar todo esse debate e também vários outros, já que pode ser vista como uma luta contra uma das frentes dessa politica de higienista que em nada está preocupado com a vida das pessoas em relação a cidade que elas constroem.

A critica pode ser geral e ir além da praça. É necessário derrubar esse decreto, e as iniciativas devem ser voltadas a isso. Mas pensar que o debate pode envolver toda a cidade, nosso fluxo sobre ela e como ela é organizada, pode abrir possibilidade para laços entre varias movimentações sociais e caminhar para a construção, partir de baixo, de uma cidade voltada para as pessoas.

…………………………………….

“VEM! VEM! VEM PRA PRAIA VEM! CONTRA O DECRETO!”
(um grito entoado debaixo do banho de mangueira na Praia da Estação em 16 de janeiro de 2010)


4 Comentários so far
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agora tem toda semana a praia da estação!
sabados de janeiro. vamos ocupar a praça com diversão!
traga seu frescobol, bicicleta, berimbau, corpo de atleta!
vem pra praça, vem!

Comentário por sirleny

toda semana!! toda semana!!

Comentário por luiz

se o prefeito não muda de opnião a gente não sai da estação!
É isso aí, todo sábado é Praia da Estação!
E que essa ação pontecialize outras tantas em prol da cultura, democratização dos espaços públicos, livre manifestação de expressão em nossa cidade!!!!

Comentário por rafa chacha

“frevo samba cores, cores unidas e alegria, nada de errado em nossa etnia!!!”

uh uh uh, que beleza
uh, uh, uh-uh-uh, toda semana!

A manifestação mais criativa e divertida que BH já viu, muito massa, não precisa de esforços pra conquistar adesão. O espírito é esse, verdadeiramente libertário, libertemos a Praça e libertemo-nos na Praia!

Comentário por Naroca




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